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Ali Khamenei diz que Trump tem as 'mãos manchadas de sangue' e critica 'mercenários de estrangeiros'

O aiatolá e líder supremo do Irã fez um alerta contra grupos que, segundo ele, “vandalizam o patrimônio nacional e agradam ao presidente dos EUA”

Aiatolá Seyed Ali Khamenei (Foto: Reuters)

247 - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, fez um duro discurso contra Donald Trump e acusou o presidente dos Estados Unidos de ter as “mãos manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”. O iraniano fez referência a comandantes militares, cientistas, figuras públicas e civis mortos por Israel na chamada “Guerra dos 12 Dias”, em junho do ano passado. Os relatos dele foram divulgados nesta sexta-feira (9) pela Telesur.

Em pronunciamento à Nação, Khamenei disse que os protestos no país são, em sua maioria, pacíficos. Conforme o aiatolá, grupos organizados a partir do exterior tentam estimular confusão e violência. São grupos “vandalizam o patrimônio nacional e agradam ao presidente dos EUA”, afirmou o iraniano.

“O Irã não cederá àqueles que cometem atos de vandalismo” e não irá “tolerar os que atuam como mercenários de estrangeiros”, continuou Khamenei, convocando os jovens a “preservar a unidade nacional” e declarou que “uma nação unida pode derrotar qualquer inimigo”.

Mais reações contra os EUA

Os atos começaram no final de dezembro em Teerã por causa da crise econômica. A moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro. Mobilizações já aconteceram em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP.

O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, afirmou que “não haverá clemência para quem ajuda o inimigo contra a República Islâmica”.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, determinou na quarta-feira (7) que as forças de segurança diferenciem os manifestantes motivados pela situação econômica dos “desordeiros” que, segundo ele, atuam contra a segurança nacional.

Capacidade nuclear e o petróleo

O Irã figura entre os principais adversários dos Estados Unidos no cenário internacional. Nos últimos anos, o governo norte-americano, juntamente com países aliados, voltou a levantar preocupações sobre a possibilidade de o país desenvolver um programa nuclear com fins militares.

As autoridades iranianas rejeitam essas acusações e afirmam que se trata de uma tentativa do Ocidente de interferir na soberania nacional. O governo do Irã nega qualquer intenção de produzir armas nucleares e sustenta que seu programa nuclear tem caráter exclusivamente pacífico.

Além das questões estratégicas, o petróleo também é apontado como um fator de interesse dos Estados Unidos. Segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o Irã ocupou em 2024 a sexta posição entre os maiores produtores, com uma produção de 3,2 milhões de barris por dia.

O Brasil foi o quinto maior produtor, com 3,3 milhões de barris diários. Os Estados Unidos lideraram o ranking, com 13,2 milhões de barris por dia, seguidos pela Arábia Saudita, com 8,9 milhões, pela China, com 4,2 milhões, e pelo Iraque, com 3,8 milhões de barris diários.

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