Escritora aciona Justiça contra Gabriela Prioli por suspeita de plágio
Maytê Carvalho pede investigação sobre possível uso indevido de conteúdos em curso de comunicação e questiona lucro obtido pela apresentadora
247 - A escritora Maytê Carvalho ingressou na Justiça com uma ação de produção antecipada de provas para apurar suspeitas de plágio envolvendo a advogada e apresentadora Gabriela Prioli, em relação ao curso online “Comunicação com Gabriela Prioli”. A iniciativa busca reunir elementos que possam comprovar o uso indevido de conteúdos autorais, além de verificar eventual obtenção de lucro com o material questionado, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
De acordo com o processo, que tramita na 2ª Vara Empresarial e de Conflitos de São Paulo, Maytê sustenta que há indícios de reprodução ou adaptação indevida de trechos de suas obras, especialmente dos livros “Persuasão – Como utilizar a retórica e a comunicação persuasiva na sua vida pessoal e profissional” e “Ouse Argumentar: Comunicação assertiva para sua voz ser ouvida”.
Gabriela Prioli afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o conteúdo do curso é original. Em nota, declarou: “é autoral, com todas as fontes devidamente indicadas, e qualquer alegação em contrário não corresponde à realidade”. A assessoria acrescentou: “Vale dizer que, até o momento, não dispomos de qualquer informação oficial acerca de eventual processo judicial, tendo tomado conhecimento do tema exclusivamente por meio da imprensa”.
O processo também menciona a relação pessoal entre as duas. Segundo a ação, Maytê e Gabriela eram próximas, e a apresentadora chegou a escrever o prefácio do livro “Persuasão”. Em março de 2020, elas teriam idealizado juntas um curso de oratória intitulado “Como falar bem em público”, que não chegou a ser lançado comercialmente.
Ainda naquele ano, o DJ Thiago Mansur, marido de Prioli, teria procurado Maytê para que ela desenvolvesse um novo projeto editorial voltado à comunicação. A escritora afirma ter elaborado um documento detalhado, com cronograma, metodologia de ensino e projeções financeiras, compartilhando também seus livros e outros trabalhos.
As negociações, segundo a ação, avançaram até novembro de 2021, quando Gabriela teria informado que o projeto não seguiria em parceria. Nesse momento, teria sugerido que Maytê atuasse como “ghostwriter”, responsável pela produção do conteúdo sem aparecer como autora, com possibilidade de remuneração. A escritora afirma que recusou a proposta.
O conflito se intensificou após o lançamento, no ano passado, do curso “Comunicação com Gabriela Prioli”. Maytê alega ter identificado “estranhas similaridades” entre o conteúdo apresentado e os materiais que havia compartilhado anteriormente.
Entre os exemplos citados no processo está a semelhança entre títulos e abordagens. Um dos ebooks do curso traz o título “As principais falácias lógicas e como escapar delas”, enquanto no livro “Persuasão” há um capítulo chamado “Isso é uma falácia! Como identificá-las (e como evitar cair em uma)”. Segundo a ação, a coincidência vai além da terminologia e indicaria proximidade na estrutura didática e no encadeamento lógico.
O documento judicial afirma que há “reprodução de figuras de linguagem e expressões com variações mínimas”, sugerindo possível utilização direta do material previamente compartilhado com Prioli.
Outro ponto destacado envolve orientações sobre técnicas de comunicação. No livro de Maytê, recomenda-se evitar encerrar discursos com expressões genéricas como “é isso”, incentivando uma finalização mais enfática. O processo aponta que orientação semelhante aparece no curso de Prioli, com a recomendação: “O que a gente evita no encerramento: frases genéricas e vazias como o comum 'bom, era isso, acho que terminei'”.
A ação é assinada pelos advogados Mayra Jardins Martins Cardozo, Hugo Nakashoji, Gabriela Fernandes Cazalli e Beatriz Regina Múrias Melo. O caso segue em análise pela Justiça paulista.


