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Cappelli: "Não dá pra acreditar que só Paulo Henrique recebeu propina e que Ibaneis e Celina não sabiam de nada"

Declaração de Cappelli aponta suspeita de envolvimento do alto comando do governo do DF em esquema bilionário investigado pela Polícia Federal

Ricardo Cappelli (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - As declarações de Ricardo Cappelli, pré-candidato ao governo do Distrito Federal e ex-interventor na segurança pública em 8 de janeiro, reforçam suspeitas sobre a dimensão política do escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Segundo ele, a hipótese de que apenas o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, tenha recebido propina não se sustenta diante do volume e da complexidade das operações investigadas.

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Cappelli afirmou que as investigações indicam um esquema que ultrapassa a atuação individual. Para ele, os indícios apontam para responsabilidade de instâncias superiores do governo. “Não é razoável acreditar que nessa fraude bilionária só o Paulo Henrique tenha recebido propina. Quer dizer que ele decidiu pegar bilhões e comprar papéis fraudados da cabeça dele, sem ouvir ninguém, e só ele recebeu propina. Sinceramente, isso não é razoável”, declarou.

Cappelli destacou que a Polícia Federal já identificou cerca de R$ 140 milhões em vantagens indevidas atribuídas a Paulo Henrique Costa, supostamente ocultadas por meio de aquisição de imóveis. A partir desse ponto, ele avalia que novas descobertas devem surgir. “Tenho muita confiança no trabalho técnico da Polícia Federal. Se ela encontrou esses valores, tenho certeza de que está rastreando outras movimentações suspeitas”, afirmou.

O ex-interventor também questionou a possibilidade de o esquema ter sido conduzido sem conhecimento do núcleo central do governo do Distrito Federal. “Um escândalo dessa proporção não aconteceria sem o envolvimento direto do comando do governo. Não dá pra acreditar que só Paulo Henrique recebeu propina e que Ibaneis e Celina não sabiam de nada”, disse.

Para Cappelli, o ex-presidente do BRB teria atuado como executor das operações, mas não como responsável final pelas decisões. “O Paulo Henrique foi o operador, mas quem foi o mandante para que isso tudo acontecesse? Acho que a hora dele vai chegar”, declarou.

Ele também afirmou que a tendência é de aprofundamento das investigações. “Essa foi apenas mais uma fase. Acho que virão outras, porque tem muita coisa a ser esclarecida ainda”, disse, ao comentar o avanço das apurações.

Cappelli avaliou ainda que a situação do investigado pode levá-lo a colaborar com as autoridades. “No momento em que é encontrada propina nesse volume, todo o argumento técnico de defesa cai por terra. Ele não tem outra saída a não ser contar tudo que sabe”, afirmou.

Segundo ele, a eventual colaboração pode ampliar o alcance das investigações. “Eu não tenho dúvida de que ele vai começar a contar tudo, porque não tem saída. E acho que vem muito mais coisa pela frente a partir dessa delação”, concluiu.

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