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Prisões de Paulo Henrique Costa e operador de Vorcaro ligam alerta em Brasília

Políticos temem eventual delação do advogado Daniel Monteiro

Prisões de Paulo Henrique Costa e operador de Vorcaro ligam alerta em Brasília (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil )

247 - A prisão de um operador ligado ao Banco Master elevou a tensão política em Brasília ao envolver suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro associadas a imóveis de luxo em São Paulo e na capital federal. A investigação aponta que apartamentos de alto padrão teriam sido usados como propina em negociações bilionárias envolvendo carteiras de crédito fraudulentas e a aquisição do banco pelo BRB. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a nova fase da Operação Compliance Zero tem como um de seus principais alvos o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, mas ganhou ainda mais relevância com a prisão do advogado Daniel Monteiro, considerado peça-chave no esquema investigado.

Costa foi preso preventivamente por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a Polícia Federal, ele é suspeito de ter recebido seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões como contrapartida pela aprovação de operações financeiras consideradas irregulares.

No entanto, nos bastidores da investigação, a atenção se volta para Daniel Monteiro. Advogado próximo ao banqueiro Daniel Vorcaro, ele teria atuado diretamente na estruturação de empresas e fundos utilizados para viabilizar a compra dos imóveis atribuídos como propina. As apurações indicam que sua atuação não se limitava a essas operações, abrangendo também a organização de uma rede mais ampla de fundos destinada, segundo a PF, ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Monteiro teria sido apresentado a Vorcaro pelo empresário Augusto Lima, criador do Credicesta, e posteriormente passou a atuar também em operações relacionadas à gestora Reag, ligada ao empresário João Mansur. Dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado mostram que o escritório do advogado recebeu R$ 79,1 milhões entre 2022 e 2025, sendo um dos mais bem remunerados pelo Banco Master.

Outro ponto sensível da investigação envolve a participação do grupo ligado a Vorcaro no próprio BRB. Conforme a Polícia Federal, Monteiro coordenou operações que resultaram na aquisição de cerca de 23% das ações do banco estatal, em transações que somam R$ 650 milhões e que são consideradas atípicas pelo mercado. Essas movimentações teriam ocorrido paralelamente à negociação das carteiras de crédito posteriormente apontadas como fraudulentas.

As investigações também indicam que o advogado possui conhecimento detalhado sobre a movimentação de recursos no exterior e a ligação entre os fundos utilizados pelo Banco Master e a gestora Reag. Esse conjunto de informações o coloca como figura central para o avanço das apurações.

Nos bastidores políticos, cresce a preocupação com a possibilidade de que Monteiro colabore com as autoridades. A eventual revelação de detalhes adicionais pode afetar não apenas as negociações envolvendo uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, mas também ampliar o alcance da investigação sobre contratos e relações estabelecidas nos últimos anos no entorno do banco.

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