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Ibovespa renova máxima histórica e dólar atinge o menor valor desde 2024

Pela primeira vez a Bolsa de Valores atingiu a marca dos 186 mil pontos e a moeda dos EUA ficou abaixo de R$ 5,2

Ibovespa renova máxima histórica e dólar atinge o menor valor desde 2024 (Foto: Reuters)

247 - O mercado financeiro brasileiro fechou esta segunda-feira (9) com desempenho histórico, impulsionado por ações de peso e pelo ambiente externo favorável. Segundo a Reuters, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 186 mil pontos, e o dólar à vista fechou no menor nível desde maio de 2024, refletindo fluxo estrangeiro positivo e maior apetite global por risco. 

O principal índice da B3 avançou 1,8% no pregão, encerrando aos 186.241,15 pontos, novo recorde de fechamento. No mesmo dia, o dólar caiu 0,59% e terminou cotado a R$ 5,1886, menor valor desde 28 de maio de 2024, acumulando desvalorização de 5,47% no ano.

O movimento de alta do Ibovespa foi liderado pelas chamadas blue chips, com destaque para Itaú Unibanco, Vale e Petrobras, em um cenário também endossado pelo desempenho positivo das bolsas em Wall Street. Durante a sessão, o índice chegou a atingir a máxima de 186.460,08 pontos, enquanto a mínima ficou em 182.950,20 pontos.

O volume financeiro negociado somou R$ 27,83 bilhões. Dados da B3 indicam continuidade do ingresso de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, com saldo positivo de R$ 2,9 bilhões em fevereiro até o dia 5, após entrada líquida de R$ 26,3 bilhões em janeiro. Em 2025, o fluxo externo acumulado já alcança cerca de R$ 27,66 bilhões.

Analistas

Para analistas, o avanço do mercado reflete um processo de reavaliação dos ativos brasileiros. “Esses ingressos têm sido um dos principais vetores do ‘re-rating’ do mercado e da melhora de desempenho”, afirmou a responsável pela análise das empresas brasileiras cobertas pelo Santander, Aline de Souza Cardoso, em relatório a clientes. 

Segundo ela, o movimento ocorre em um contexto mais amplo de realocação de portfólios globais. “Após vários anos de elevada concentração em mercados desenvolvidos — especialmente em ações dos EUA —, as condições passam a se mostrar cada vez mais favoráveis, em nossa visão, para uma rotação gradual em direção aos mercados emergentes”, acrescentou a analista.

O cenário externo também contribuiu para o viés positivo. Na mesma sessão, Wall Street apresentou ganhos, com o índice S&P avançando 0,47%, reforçando o apetite por ativos de risco nos mercados globais. 

No Brasil, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também repercutiram entre os investidores. Ele afirmou que a palavra-chave do atual momento da política monetária é “calibragem” e que há sinais de melhora nos dados de inflação corrente e nas expectativas. 

Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, o discurso “reforçou o início do ciclo de cortes, mas reforçou prudência nos movimentos”, contribuindo para a queda das taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs).

A semana começou ainda com nova captação do Brasil no mercado externo. O país levantou US$ 3,5 bilhões com um título com vencimento em 2036 e mais US$ 1,0 bilhão com a reabertura de um papel de 30 anos, o Global 2056.

No mercado de câmbio, fatores internacionais seguiram predominantes. Para o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, “o dólar opera em queda hoje sob predominância de fatores externos: a queda acentuada do DXY (índice do dólar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”. 

Ele acrescentou que “o ambiente internacional favorável ao risco, marcado pela alta das bolsas nos EUA, na Europa e no Japão, tem dado suporte às moedas emergentes de forma geral, com destaque para o real”.

Instituições na Bolsa de Valores

ITAÚ UNIBANCO PN avançou 3,34%, em um dia de desempenho robusto do setor bancário.

SANTANDER BRASIL UNIT subiu 5,98% e BRADESCO PN teve alta de 1,46%. BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 2,01%, com o mercado à espera do balanço do quarto trimestre. 

VALE ON subiu 1,96%, revertendo duas quedas consecutivas, em meio a desempenho misto dos contratos futuros de minério de ferro na Ásia. A empresa divulga seu balanço trimestral e anual após o fechamento do mercado na quinta-feira. 

BTG PACTUAL UNIT recuou 0,12%, mesmo após divulgar lucro recorde de R$ 4,6 bilhões no quarto trimestre, em linha com as estimativas. No ano, os papéis ainda acumulam alta próxima de 14,5%. 

PETROBRAS PN avançou 1,83% e PETROBRAS ON subiu 2,03%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional, com o Brent fechando em alta de 1,45%. 

HAPVIDA ON caiu 2,72%, renovando mínimas históricas. Dados recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar indicaram redução no número de clientes da operadora, o que segue pressionando as ações da companhia.

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