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China orienta bancos a reduzir Treasuries e juros dos títulos dos EUA sobem

Movimento sinaliza preocupação com volatilidade e reforça tendência global de diversificação

Sede do Departamento do Tesouro dos EUA em Washington, D.C. EUA., 29/08/2020 REUTERS/Andrew Kelly/File Photo (Foto: Andrew Kelly/Reuters)

247 - Os títulos do governo dos Estados Unidos (Treasuries) ampliaram as perdas nesta semana, com alta nas taxas, após informações de que reguladores chineses teriam orientado instituições financeiras do país a reduzir sua exposição a esses ativos. A movimentação ocorre em meio a preocupações com a volatilidade do mercado e ao aumento das incertezas geopolíticas, que vêm pressionando o apetite global por papéis americanos. As informações são da Bloomberg.

A recomendação teria sido repassada a bancos chineses para limitar novas compras e reduzir posições já elevadas, sem estabelecer metas específicas de volume ou prazo. A diretriz, contudo, não se aplicaria às reservas estatais chinesas mantidas em Treasuries.

Taxas sobem e dólar perde força

Após a notícia, os rendimentos dos Treasuries de referência subiram até quatro pontos-base, alcançando 4,25%, depois de terem sido negociados em torno de 4,22% mais cedo. Já os papéis de 30 anos avançaram dois pontos-base, chegando a 4,87%. No mesmo movimento, o índice Bloomberg Dollar Spot recuou 0,2%, sinalizando enfraquecimento do dólar frente a uma cesta de moedas.

A orientação chinesa foi interpretada como uma tentativa de reduzir riscos e diversificar a exposição a ativos americanos. Analistas, porém, avaliam que o gesto pode reforçar uma tendência recente de diminuição gradual do peso dos Treasuries em carteiras internacionais.

Diversificação global ganha força

Embora apresentada como medida de gestão de risco, a orientação chinesa surge em um contexto em que outros países também vêm reduzindo participação no maior mercado de renda fixa do mundo. Índia e Brasil são citados entre as nações que diminuíram exposição, enquanto a atratividade dos ativos americanos passa a ser questionada diante do cenário internacional.

Além disso, tensões geopolíticas e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como ameaças envolvendo a Groenlândia, aumentaram o desconforto nos mercados e estimularam a procura por alternativas, como o ouro.

O estrategista Gareth Berry, do Macquarie Group Ltd., avaliou que a movimentação reforça a percepção de uma mudança estrutural no posicionamento global em relação ao dólar.

“É a evidência mais recente de um padrão em formação — um sinal de que a expectativa de saídas estruturais de longo prazo do dólar não é apenas uma miragem”, afirmou Berry.

“Gestores de ativos baseados nos EUA, na Europa — e não apenas na Dinamarca — e agora na China estão, potencialmente, votando com os pés.”

Exposição chinesa cai ao menor nível desde 2008

Dados oficiais dos Estados Unidos mostram que as posições de investidores sediados na China em Treasuries foram reduzidas pela metade nas últimas décadas, totalizando US$ 682,6 bilhões, o menor patamar desde 2008. O valor é bem inferior ao pico de US$ 1,32 trilhão, registrado no fim de 2013.

Apesar disso, a Bélgica — que frequentemente aparece associada a contas de custódia chinesas — viu suas participações em Treasuries quadruplicarem desde o fim de 2017, chegando a US$ 481 bilhões.

Considerando também investimentos chineses em títulos de agências dos EUA e em ações, o volume total aplicado pelo país em ativos americanos permanece relativamente estável desde o fim de 2023. Atualmente, a China ocupa a posição de terceiro maior detentor estrangeiro de Treasuries, atrás de Japão e Reino Unido.

Impacto pode ser limitado, dizem analistas

Especialistas avaliam que o efeito direto no mercado pode não ser tão significativo, já que boa parte da dívida americana detida pela China está concentrada em instituições oficiais e em papéis de vencimento mais curto.

Martin Whetton, chefe de estratégia de mercados financeiros do Westpac Banking Corp., destacou que os bancos chineses têm menor participação nesse volume.

“Grande parte da dívida é detida por instituições oficiais chinesas e tende a ter vencimentos mais curtos, por razões de liquidez”, disse Whetton. “Assim, o que sobra para os bancos é pouco, e a China não é exatamente um fator decisivo nas ofertas mensais de Treasuries.”

Investimento estrangeiro em Treasuries segue em alta

Apesar da redução chinesa, as posições estrangeiras em títulos do governo dos EUA cresceram em novembro e atingiram o maior nível da série histórica, segundo dados do Departamento do Tesouro. O avanço foi impulsionado por aumentos nas posições de países como Noruega, Canadá e Arábia Saudita, que compensaram mais um recuo mensal da China.

Os Treasuries seguem apresentando desempenho relativamente forte no cenário global, beneficiados pelos juros elevados. Nos últimos 12 meses, os papéis acumularam ganho de 5,3%, ficando atrás apenas de Singapura e Israel entre os principais mercados de dívida soberana de países desenvolvidos.

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