Acordo Mercosul-União Europeia avança com chegada de missão ao Brasil
Expectativa é que os benefícios práticos do tratado ajudem a consolidar o apoio político e empresarial ao longo dos próximos meses
247 - Uma missão oficial do Parlamento Europeu chegou ao Brasil com o objetivo de acelerar os impactos econômicos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio, após mais de 25 anos de negociações. As informações são do G1.
A visita marca a primeira agenda institucional europeia no país desde o início da aplicação provisória do tratado. O objetivo da delegação é demonstrar que o acordo pode gerar resultados econômicos concretos já nos primeiros meses, reduzindo críticas políticas e comerciais dos dois lados.
O chefe da delegação europeia, o deputado português Hélder Sousa, afirmou que há apoio amplo ao tratado entre diferentes correntes políticas brasileiras e destacou que o acordo deve permanecer independentemente de mudanças eleitorais.
“Falei com deputados e senadores da esquerda, do centro e da direita e todos eles me disseram: o acordo vai continuar independentemente da decisão do povo brasileiro”, declarou Sousa em entrevista à GloboNews. “É um acordo que não depende do resultado eleitoral”, acrescentou.
Missão europeia busca consolidar tratado
Segundo Hélder Sousa, a estratégia da missão é fortalecer o acordo como uma parceria econômica de longo prazo entre Mercosul e União Europeia. A expectativa é que os benefícios práticos do tratado ajudem a consolidar o apoio político e empresarial ao longo dos próximos meses.
A delegação europeia também aposta no crescimento das trocas comerciais entre os blocos, impulsionado pela redução gradual de tarifas de importação e exportação.
Reuniões em Brasília discutem implementação
Durante a passagem por Brasília, os parlamentares europeus participaram de reuniões com autoridades brasileiras. A agenda incluiu encontros com o vice-presidente Geraldo Alckmin, com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de integrantes do Congresso Nacional.
Os representantes europeus também se reuniram com integrantes dos ministérios do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além de diplomatas do Itamaraty.
Um dos principais resultados da visita foi a criação de um grupo de trabalho conjunto entre Brasil e União Europeia para acompanhar a implementação do acordo e resolver eventuais dificuldades durante a execução do tratado.
“Nós queremos garantir que a execução do acordo nos primeiros meses seja positiva e mostrar que é um acordo ganha-ganha para ambos os lados”, afirmou Hélder Sousa.
Redução de tarifas deve impulsionar comércio
Segundo o parlamentar europeu, o acordo prevê redução tarifária em cerca de 91% dos produtos comercializados entre os dois blocos. A expectativa é que isso reduza custos de exportação e importação ao longo dos próximos anos.
Sousa destacou que os efeitos econômicos serão graduais, já que a eliminação das tarifas ocorrerá em um período de até 15 anos, dependendo do setor.
“Já temos outros acordos em vigor nesse regime transitório. Isso não nos preocupa”, declarou o deputado europeu ao comentar a tramitação definitiva do tratado no Parlamento Europeu.
Cenário internacional fortalece parceria
Hélder Sousa também afirmou que o atual cenário internacional, marcado por disputas comerciais e revisões tarifárias em grandes economias, acelerou o interesse da União Europeia e do Mercosul na conclusão do acordo.
Segundo ele, os dois blocos buscam diversificar parcerias comerciais e reduzir dependências externas. “Nós despertamos para uma oportunidade. Há uma necessidade de diversificar parceiros comerciais e isso nos aproximou”, afirmou.
O que muda com o acordo
O acordo comercial prevê a eliminação das tarifas de importação sobre 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul para a União Europeia. A redução ocorrerá de forma gradual, em prazos que variam entre quatro e dez anos, dependendo do produto.
Entre os itens que passarão a ter tarifa zero estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais, café solúvel e café moído. O café em grão já entra atualmente no mercado europeu sem cobrança tarifária. Produtos considerados sensíveis pela União Europeia, como carne bovina, carne suína e frango, continuarão submetidos a cotas de exportação, mesmo com redução tributária.


