Vorcaro pretende delatar políticos, banqueiros e empresários
Dono do Banco Master considera incluir agentes do mercado financeiro em acordo e detalha operações bilionárias ligadas a precatórios e fundos
247 - O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, avalia incluir banqueiros e empresários em um eventual acordo de delação, com o objetivo de detalhar operações financeiras que teriam contribuído para ampliar o rombo da instituição, posteriormente liquidada pelo Banco Central, informa Julio Wiziack, do UOL.
De acordo com pessoas que acompanham as negociações, Vorcaro teria mapeado cerca de R$ 20 bilhões em transações envolvendo precatórios, projetos imobiliários e empreendimentos de energia estruturados por meio de fundos de investimento. Essas operações incluíam cláusulas conhecidas como “earn-out”, mecanismo que prevê pagamento adicional ao vendedor caso o ativo alcance desempenho futuro superior ao inicialmente estimado.
Esse tipo de estrutura é comum em negociações empresariais quando há incerteza sobre o valor real de um ativo. Um exemplo típico seria a aquisição de uma empresa com potencial de crescimento significativo, permitindo que o vendedor receba ganhos adicionais conforme o desempenho após a venda.
No caso do Banco Master, as operações ocorreram a partir do final do governo Jair Bolsonaro (PL) e tinham como base a expectativa de valorização futura dos empreendimentos. Isso implicava riscos elevados, uma vez que os ganhos dependiam do sucesso posterior dos projetos.
Um dos episódios mencionados envolve a venda de um “pré-precatório” por R$ 50 milhões a um banqueiro conhecido do mercado. Precatórios são dívidas da União que só se tornam efetivamente pagáveis após decisão judicial definitiva. Segundo os relatos, caso o processo fosse concluído favoravelmente, o acordo previa a divisão de R$ 1,2 bilhão entre as partes.
Além desse caso, operações semelhantes teriam sido realizadas com ativos ligados a parques solares, usinas eólicas e projetos imobiliários ainda em fase de estruturação, que serviram como base para fundos de investimento. Também há registros de cotas de patrocínio do banco utilizadas em negociações com instituições financeiras.
Ainda segundo fontes envolvidas nas tratativas, Vorcaro pretende ampliar o alcance de sua colaboração, incluindo não apenas agentes do mercado financeiro, mas também políticos, especialmente ligados a partidos do centrão. A estratégia seria demonstrar que não atuou isoladamente e que outras instituições lucraram com as operações, apesar de atualmente buscarem se distanciar do caso após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.


