HOME > Brasil

Vorcaro cancelou negócios com Paulo Henrique Costa para driblar investigações, diz PF

Dono do Master interrompeu negócios de R$ 146 milhões após vazamento sobre apuração do Ministério Público Federal

Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

247 - O ex-banqueiro Daniel Vorcaro interrompeu a entrega de imóveis avaliados em R$ 146 milhões ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, conhecido como Paulo Preto, após tomar conhecimento de uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF). A medida teria sido adotada para evitar o avanço das apurações, segundo elementos reunidos pela Polícia Federal (PF).

As informações constam de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgada nesta quinta-feira (16). O documento detalha a dinâmica das negociações e o suposto vazamento de dados sigilosos do inquérito.

De acordo com a investigação, Luiz Phillipi Mourão, identificado nas mensagens como “Sicário”, teve acesso a documentos do processo sob sigilo e os repassou a Vorcaro por meio do WhatsApp em 24 de junho. Antes mesmo de receber os arquivos, porém, a PF sustenta que há “alta probabilidade” de que o ex-banqueiro já tivesse conhecimento da existência da investigação.

Após a suspeita de vazamento, Vorcaro teria orientado seu advogado Daniel Monteiro, responsável por operações imobiliárias, a interromper as tratativas com Paulo Preto. Nas mensagens analisadas, o ex-presidente do BRB demonstrava preocupação com a demora na conclusão do negócio. “Amigo, pessoal esperando seu acordo sobre os imóveis de São Paulo. Pode ajudar?”, escreveu. Em resposta, Vorcaro questionou onde estaria o entrave, e Paulo Preto afirmou: “Na equipe do Daniel [Monteiro]. Mas disseram que é simples”.

Em outro trecho, Paulo Preto indicou empenho nas negociações e na estruturação financeira envolvendo o Banco Master e o BRB. “Fico em cima de todos os assuntos até resolver” e “Continuo no Deal Mode. Estou virando noite e tentando resolver”, afirmou nas mensagens.

A decisão do STF também menciona que Monteiro teria papel relevante na organização das operações. Segundo a Polícia Federal, o advogado atuava na “blindagem documental” das transações e na criação de estruturas societárias e financeiras destinadas à aquisição e ocultação dos imóveis atribuídos ao ex-presidente do BRB.

Além disso, a investigação aponta que Monteiro participou da elaboração de contratos e documentos ligados a carteiras de crédito consideradas fictícias, vendidas pelo Banco Master ao BRB. O Banco Central identificou inconsistências nesses registros, classificando-os como artificiais.

Com base nesses elementos, a Polícia Federal solicitou a prisão preventiva de Paulo Preto, argumentando risco de interferência nas investigações e possível rearticulação do esquema. O pedido também incluiu Daniel Monteiro.

A defesa de Paulo Henrique Costa contestou a medida. O advogado Cléber Lopes afirmou que o ex-presidente do BRB não cometeu irregularidades. “A defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique não cometeu crime algum”, declarou após a prisão, realizada em Brasília.

Artigos Relacionados