HOME > Brasil

PT vê caso Master pegando no “coração do Centrão”

Dirigentes veem desgaste limitado ao partido, enquanto Centrão pode ser duramente atingido

Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

247 - A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) acompanha com atenção o avanço das investigações envolvendo o Banco Master e avalia que o episódio pode gerar efeitos negativos limitados para a legenda. Internamente, dirigentes e quadros históricos reconhecem a existência de um “dano colateral” para nomes do partido, mas sustentam que o impacto principal do escândalo recairá sobre o chamado “coração do centrão”, núcleo político que mantém forte influência no Congresso Nacional. As informações são da jornalista Daniela Lima, do UOL.

Um dirigente do partido sintetizou a leitura interna ao afirmar: “Do lado de cá é residual. Do lado de lá é o sistema nervoso central”, numa referência direta ao peso político que o episódio pode ter sobre as forças do Centrão.

As apurações sobre o Banco Master avançam em múltiplas frentes e já extrapolaram o episódio que detonou a crise, a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Investigadores identificaram elementos que ampliam o alcance do caso, incluindo a atuação de grandes empresas do setor de apostas online, conhecidas como BETs.

Segundo informações levantadas na investigação, ao menos três dessas empresas teriam financiado uma ofensiva de caráter reputacional contra o Banco Central. A estratégia teria envolvido mais de 15 influenciadores digitais, mobilizados para disseminar críticas e questionamentos à atuação da autoridade monetária nas redes sociais. O grupo empresarial ligado às apostas, de acordo com as apurações, mantém vínculos com políticos e outras organizações que também estão sob o radar da Polícia Federal.

A motivação atribuída a essa articulação seria reforçar junto à opinião pública a narrativa defendida por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Ele sustenta que o veto à operação com o BRB e a análise conduzida pelo Banco Central teriam precipitado a liquidação da instituição financeira. Essa versão, no entanto, é contestada pelos dados reunidos na investigação.

De acordo com o Ministério Público Federal, o Banco Master já apresentava problemas de liquidez desde 2024, o que enfraquece a tese de que a crise teria sido provocada exclusivamente pelas decisões do regulador financeiro. As autoridades apontam que as fragilidades da instituição antecedem os episódios mais recentes envolvendo a tentativa de venda.

No entorno de Daniel Vorcaro, aliados rejeitam de forma categórica a possibilidade de uma delação premiada. O argumento é de que, no estágio atual das investigações, ele é apontado como líder de uma organização criminosa, condição que, segundo a legislação, impede que pessoas no topo dessas estruturas firmem acordos de colaboração com a Justiça.

Atualmente, os inquéritos relacionados ao Banco Master tramitam em ao menos três estados — São Paulo, Rio de Janeiro e Amapá — além de procedimentos no Supremo Tribunal Federal e no Distrito Federal. 

Artigos Relacionados