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Placar indica que senadores aliados do governo votaram contra Messias no STF

Placar mostra que senadores que costumam votar com o governo mudaram de lado

Jorge Messias (Foto: Victor Piemonte/STF)

247 - A derrota de Jorge Messias no Senado indica que senadores próximos ao governo mudaram de lado, contribuindo para a rejeição inédita da indicação ao Supremo Tribunal Federal e ampliando a crise política no entorno do Planalto. Segundo análise publicada pelo jornal O Globo, o resultado de 42 votos contrários e 34 favoráveis expõe uma ruptura dentro da base governista, com indícios de que apoios considerados seguros não se confirmaram no momento decisivo da votação.

O levantamento aponta que o núcleo mais alinhado ao governo — formado por senadores do PT, PDT e PSB — somava 18 votos. A esse grupo se juntavam outros 13 parlamentares que haviam declarado apoio prévio a Messias, o que levaria a um total estimado de 31 votos favoráveis.

Ainda assim, o número final de votos indica inconsistências nesse apoio. Embora Messias tenha alcançado 34 votos, o resultado sugere que parte dos senadores considerados próximos ao governo votou contra ou que aliados que haviam prometido apoio recuaram.

Base governista sob pressão

Do lado da oposição, havia expectativa de pelo menos 16 votos do PL, além de outros 11 parlamentares que já haviam se posicionado contra a indicação antes da votação.

Um grupo de 21 senadores classificados como indecisos reunia tanto oposicionistas quanto nomes historicamente alinhados ao governo. Entre eles, ao menos cinco costumam votar com o Planalto em mais da metade das votações: Zenaide Maia, Fernando Dueire e Omar Aziz, do PSD, além de Professora Dorinha Seabra, do União Brasil, e Marcelo Castro, do MDB.

Apesar desse histórico, o desempenho de Messias indica que parte desse grupo não manteve o padrão de alinhamento, reforçando a percepção de fragilidade política do governo no Senado.

Bastidores e articulação política

A votação foi precedida por intensa movimentação nos bastidores. Relatos obtidos pelo O Globo junto a quatro senadores, sob reserva, indicam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria atuado diretamente para ampliar a rejeição ao nome de Messias.

De acordo com esses relatos, Alcolumbre entrou em contato com parlamentares de diferentes espectros políticos ao longo do dia, pedindo votos contrários e incentivando a articulação entre colegas.

A assessoria do senador, no entanto, negou que ele tenha solicitado votos contra a indicação.

Divergência interna no Senado

A disputa pela vaga no STF já vinha sendo marcada por divergências. Alcolumbre defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e se afastou do governo após a escolha de Messias.

Apesar disso, o presidente do Senado mantinha publicamente uma postura de neutralidade, afirmando que garantiria apenas o cumprimento do processo legislativo.

Derrota histórica e impacto político

A rejeição de Jorge Messias representa a primeira vez, em 132 anos, que o Senado barra uma indicação ao Supremo Tribunal Federal.

O episódio é visto por aliados como um sinal de crise política significativa, evidenciando dificuldades de articulação do governo e uma base parlamentar menos coesa do que o esperado.

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