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Paulo Henrique Costa é preso por esconder imóveis de R$ 140 milhões de Vorcaro

PF aponta que bens de luxo recebidos do dono do Master foram usados como propina em esquema investigado

Paulo Henrique Costa, presidente do BRB (Foto: Evandro Macedo / Lide)

247 - A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sob suspeita de ocultar imóveis avaliados em mais de R$ 140 milhões que teriam sido recebidos do empresário Daniel Vorcaro, no âmbito de um esquema investigado envolvendo o Banco Master. As apurações indicam que os bens de alto padrão teriam sido utilizados como forma de pagamento de propina.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a investigação apura crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ligados à aprovação de carteiras consideradas fraudulentas. A prisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, e o caso tramita sob sigilo.

Imóveis de luxo em São Paulo e Brasília

A Polícia Federal identificou seis imóveis supostamente vinculados ao esquema, sendo quatro apartamentos de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. O valor total dos bens supera R$ 140 milhões, com unidades avaliadas individualmente em mais de R$ 30 milhões.

Entre os imóveis, está um apartamento no edifício Vizcaya Itaim, localizado próximo à avenida Faria Lima, uma das áreas mais valorizadas da capital paulista. O empreendimento conta com apenas 25 unidades, um por andar, e tem previsão de entrega para julho deste ano. Os preços variam entre R$ 30,1 milhões e R$ 46,2 milhões.

Outro imóvel citado na investigação fica no edifício Heritage, também no bairro do Itaim Bibi, conhecido como um dos mais caros do país. As unidades possuem entre 570 e 1.000 metros quadrados e podem alcançar valores de até R$ 42 milhões.

Atuação de operador e elo com Banco Master

Além de Paulo Henrique Costa, a operação também tem como alvo o advogado Daniel Monteiro, apontado como responsável pela gestão de fundos e contas utilizados para movimentar recursos do Banco Master. De acordo com os investigadores, esses mecanismos teriam sido usados para desviar dinheiro e viabilizar pagamentos indevidos a agentes públicos.

Monteiro é descrito como pessoa de confiança de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e teria participado diretamente de negociações com o BRB.

Tentativas de venda e avanço das investigações

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicam que, no dia em que foi preso, o empresário tentou acelerar a venda de um dos apartamentos no edifício Vizcaya Itaim. A movimentação ocorreu após ele tomar conhecimento das investigações sobre a possível utilização do imóvel como pagamento de propina.

Nos últimos meses, corretores ligados ao empresário tentaram negociar esse e outros imóveis, sem sucesso. Informações sobre a possível origem irregular dos recursos já circulavam no mercado imobiliário, dificultando as transações.

Indícios adicionais

A investigação também aponta que o nome de Paulo Henrique Costa chegou a aparecer na lista de moradores do edifício Heritage, o que reforça a suspeita de ligação direta com os bens.

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