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Orlando Silva: 'família Bolsonaro será responsável por qualquer ato de guerra dos EUA contra o Brasil. Canalhas imundos'

Parlamentar destaca que mudança na classificação das facções CV e PCC para organizações terroristas abre caminho para sanções e ações militares dos EUA

Orlando Silva (Foto: Kayo Magalhaes / Câmara)
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247 - O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) reagiu com duras críticas à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (28), o parlamentar afirmou que a medida representa uma “ameaça gravíssima à soberania nacional” e responsabilizou integrantes da família Bolsonaro pela iniciativa.

“Contrariando os mais básicos pressupostos do Direito, os EUA acabam de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas”, escreveu Orlando Silva. Segundo ele, a legislação norte-americana permitiria ações militares fora do território dos EUA sob o argumento de combate ao terrorismo. “A lei norte-americana autoriza ataques físicos, logo, atos de guerra, contra o território de países em que tais organizações atuam, de acordo com os ditames dos EUA”, afirmou.

Na postagem, o deputado também atacou diretamente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A famiglia mafiosa Bolsonaro, com o corrupto Flávio e o traidor Eduardo à frente, serão responsáveis diretos por qualquer ato de guerra dos EUA contra o Brasil. Canalhas imundos”, destacou o parlamentar.

A decisão do Departamento de Estado dos EUA foi anunciada pelo secretário Marco Rubio e deverá entrar em vigor em 5 de junho. Rubio informou que PCC e CV passarão a ser enquadrados como “terroristas globais especialmente designados” (“Specially Designated Global Terrorists”).

O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o presidente Donald Trump e com o próprio Marco Rubio, em Washington. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o parlamentar teria solicitado formalmente a mudança de classificação das facções brasileiras para organizações terroristas. Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que atualmente reside nos Estados Unidos, também vem atuando junto a autoridades norte-americanas em defesa da medida.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posiciona contra a classificação e avalia que ela pode abrir precedentes para ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil. Diplomatas brasileiros argumentam que a legislação brasileira não enquadra facções criminosas como organizações terroristas e temem que a decisão seja utilizada politicamente em meio ao cenário eleitoral brasileiro.

A iniciativa do governo Trump também gerou reação nos próprios Estados Unidos. Parlamentares democratas enviaram carta ao secretário Marco Rubio alertando que a classificação poderia prejudicar as relações diplomáticas entre Brasil e EUA e abrir espaço para interferências políticas no país sul-americano.

A estratégia de enquadrar cartéis e facções latino-americanas como organizações terroristas vem sendo ampliada pelo governo Trump desde 2025, incluindo grupos ligados ao narcotráfico na Venezuela e na Colômbia.

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