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Ministério Público pede ao TCU dados da PF sobre investigação do Banco Master

Solicitação envolve apuração da PF sobre venda de créditos inexistentes e ataques ao BC após liquidação do banco

Banco Master (Foto: Divulgação)

247 - O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou que a presidência do TCU peça à Polícia Federal o compartilhamento de informações relacionadas às investigações que envolvem a liquidação do Banco Master. O pedido foi protocolado na quinta-feira (8) pelo subprocurador-geral Lucas Furtado e tem como objetivo subsidiar os trabalhos de fiscalização a serem conduzidos pela Corte de contas.

A iniciativa menciona a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura a suposta venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A investigação levou à prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro, em domingo (17 de novembro). Posteriormente, ele foi solto e passou a utilizar tornozeleira eletrônica.

No documento encaminhado ao TCU, Furtado argumenta que as apurações da Polícia Federal guardam relação direta com a fiscalização que será realizada pelo tribunal. Segundo ele, o acesso tempestivo às informações pode influenciar o desfecho do trabalho da Corte. “Considerando que as investigações perpetradas pela PF guardam relação com os trabalhos a serem desenvolvidos pelo TCU, e que os resultados alcançados podem afetar o desenlace da fiscalização a ser realizada pelo tribunal, entendo que caberia a Vossa Excelência, na qualidade de presidente do Tribunal de Contas da União, solicitar à Polícia Federal que promova o tempestivo compartilhamento de informações sobre as apurações envolvendo a liquidação do Banco Master”, diz o ofício.

Além da investigação sobre a venda de créditos, o subprocurador-geral também cita a análise feita pela PF a respeito de ataques coordenados ao Banco Central nas redes sociais após a liquidação do Banco Master. De acordo com as informações reunidas, esse movimento teria buscado influenciar a opinião pública e comprometer a credibilidade da autoridade monetária.

Os dados apontam que, apenas na sexta-feira (27 de dezembro), foram registradas 4.560 postagens questionando a atuação de instituições como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). As críticas também tiveram como alvo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes.

Ainda segundo as apurações, influenciadores sem ligação com o setor financeiro teriam sido procurados para impulsionar conteúdos críticos ao Banco Central. Em pelo menos um contrato analisado, constavam as iniciais de Daniel Vorcaro e a previsão de multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. O documento fazia referência ao chamado “projeto DV”.

No âmbito do Tribunal de Contas da União, o caso também teve novos desdobramentos. Na quinta-feira (8), o ministro relator Jhonatan de Jesus decidiu recuar da determinação de realizar uma inspeção in loco no Banco Central. O ministro encaminhou o tema para análise do plenário do TCU, que retoma suas atividades após o recesso na sexta-feira (16).

A mudança de posição ocorreu depois que o Banco Central apresentou recurso contra a decisão monocrática e em meio a críticas internas sobre a condução do caso durante o período de férias, avaliação que, segundo relatos, poderia afetar a imagem institucional do tribunal.

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