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Itamaraty critica "tratamento humilhante e pede "libertação imediata" de brasileiros presos ilegalmente por Israel

Governo critica tratamento “degradante” dado a ativistas da flotilha Global Sumud, interceptada em águas internacionais enquanto seguia em direção à Gaza

Ativistas da Flotilha Global Sumud ajoelhados durante prisão ilegal por Israel (Foto: Reprodução X / Itamar Ben-Gvir)
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247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou forte repúdio à ação das autoridades israelenses contra integrantes da Flotilha Global Sumud, interceptada no mar Mediterrâneo enquanto tentava chegar à Faixa de Gaza com ajuda humanitária. A

Em nota divulgada nesta quarta-feira (20), o Itamaraty afirmou que os ativistas foram submetidos a um tratamento “degradante e humilhante” após serem detidos por Israel. O posicionamento brasileiro também condena a interceptação das embarcações em águas internacionais, considerada pelo governo uma violação do direito internacional.

“O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses”, declarou o Ministério das Relações Exteriores na nota.

Além de exigir a libertação imediata dos participantes da missão, o governo brasileiro cobrou garantias de respeito aos direitos humanos dos detidos, incluindo quatro cidadãos brasileiros que integravam a flotilha.

Vídeo de ministro israelense ampliou pressão internacional

A reação diplomática ganhou força depois que o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, divulgou um vídeo nas redes sociais mostrando parte dos ativistas detidos.

Nas imagens, os integrantes da missão aparecem ajoelhados, com as mãos presas para trás e a cabeça encostada no chão, enquanto o hino israelense é reproduzido em volume elevado. Durante a gravação, Ben-Gvir segura uma bandeira de Israel e se refere aos ativistas como “apoiadores do terrorismo”.

A publicação provocou críticas internacionais e aumentou a pressão sobre o governo israelense. Países como França, Espanha, Itália, Turquia e Canadá também demonstraram preocupação com a forma como os integrantes da flotilha foram tratados.

Netanyahu se distancia de Ben-Gvir

Segundo o Metrópoles, a repercussão do caso provocou desconforto até mesmo dentro do governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a conduta de Ben-Gvir “não está de acordo com os valores e as normas de Israel”.

Apesar da crítica ao ministro, Netanyahu defendeu a decisão de impedir que a flotilha chegasse à Faixa de Gaza, alegando que o grupo teria ligação com “apoiadores terroristas do Hamas”.

Flotilha levava ajuda humanitária

A missão humanitária saiu do sul da Turquia na semana passada e reunia cerca de 430 ativistas de aproximadamente 40 países. Segundo os organizadores, a iniciativa tinha como objetivo transportar ajuda humanitária à população palestina e desafiar o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza.

Entre os brasileiros detidos estão a advogada Ariadne Teles, a ativista Beatriz Moreira, a desenvolvedora de software Thainara Rogério e o médico pediatra Cássio Pelegrini. As autoridades israelenses informaram que os integrantes da flotilha deverão ser deportados.

Leia a íntegra da nota do Itamaraty:

"Tratamento degradante aos participantes da Flotilha Global Sumud

O governo brasileiro deplora o tratamento degradante e humilhante dispensado por autoridades israelenses, em particular pelo Ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben Gvir, aos participantes da Flotilha Global Sumud.

Ao reiterar seu repúdio à interceptação, em águas internacionais, das embarcações integrantes da flotilha e à detenção de seus participantes — ambas ações ilegais —, o Brasil demanda libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo de quatro cidadãos brasileiros, assim como pleno respeito a seus direitos e a sua dignidade, em linha com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado de Israel, a exemplo da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes."

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