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Thiago Ávila relata tortura após prisão por Israel: “Diziam que eu ia ficar 100 anos preso”

Ativista brasileiro denuncia agressões e ameaças após interceptação da Flotilha da Liberdade por Israel

Thiago Ávila durante entrevista em São Paulo (Foto: Reprodução (Redes Sociais))
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247 - O ativista brasileiro Thiago Ávila afirmou ter sido vítima de tortura, ameaças e agressões físicas após ser preso por forças israelenses durante uma missão humanitária da Flotilha da Liberdade rumo à Faixa de Gaza. Em entrevista concedida à TV 247, ele relatou ter desmaiado duas vezes em decorrência das agressões e afirmou que recebeu ameaças de prisão perpétua e morte durante o período em que esteve sob custódia israelense.

Segundo Ávila, a interceptação da embarcação ocorreu em águas internacionais, em mais um episódio que, de acordo com ele, viola o direito internacional e as decisões da Corte Internacional de Justiça. O ativista contou que, poucos dias após retornar ao Brasil, já segue novamente para a Turquia, onde pretende acompanhar a situação de integrantes da flotilha que continuam presos.

“Diziam que eu ia ficar 100 anos preso ou que iam me matar”, declarou. “Falavam que só não estavam me torturando mais porque era uma escolha deles, porque no país deles aquilo era legal.”

Ávila descreveu os primeiros dias sob custódia da Marinha israelense como os mais violentos. Depois, segundo ele, foi transferido para um centro de interrogatório, onde permaneceu em isolamento. “Eu ficava em solitária, vendado sempre que saía da cela. Ou tudo era completamente escuro ou havia holofotes muito fortes. Fazia muito frio e havia pessoas sendo torturadas o dia inteiro ao meu redor”, relatou.

O ativista afirmou que esta foi a nona missão organizada por ele junto à Flotilha da Liberdade e a terceira vez em que sofreu interceptação. Segundo Ávila, o nível de violência empregado pelas autoridades israelenses aumentou significativamente nos últimos episódios. “Eles estão escalando. O grau de violência e de ataques está cada vez maior”, disse.

Durante a entrevista, Thiago Ávila também falou sobre o impacto emocional da morte de sua mãe, ocorrida enquanto ele ainda estava incomunicável. “Descobri que perdi minha mãe quando atravessava o deserto para voltar para casa”, contou. Mesmo abalado, afirmou que seguirá atuando em defesa da população palestina.

“Quando penso na minha filha aqui em casa, lembro que em Gaza existem pais segurando crianças para amputações sem anestesia. Isso coloca tudo em outra dimensão”, afirmou. Ele também denunciou o agravamento da situação humanitária na Faixa de Gaza, mencionando fome, ataques automatizados e expansão militar israelense no território.

Ávila criticou duramente o governo de Israel e acusou o país de desrespeitar normas internacionais. “Estamos lidando com um Estado que ignora completamente o direito internacional, a lei marítima e até decisões da Corte Internacional de Justiça”, declarou.

O ativista revelou ainda que mais de 34 embarcações da flotilha já teriam sido interceptadas recentemente e que centenas de militantes estariam sob custódia israelense. Entre eles, segundo ele, há três brasileiras: Bia, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens; Ariadne, coordenadora internacional da flotilha; e Thaís, apoiadora do movimento que vive na Espanha.

“Nosso papel agora é pressionar pela libertação dessas pessoas e garantir que retornem com integridade física”, afirmou. Ele lembrou que, na interceptação anterior, dezenas de participantes precisaram de atendimento médico após agressões sofridas dentro de embarcações militares israelenses.

Apesar das denúncias, Ávila elogiou a atuação diplomática do governo brasileiro em sua libertação. Segundo ele, o Itamaraty prestou assistência durante todo o processo e cobrou oficialmente explicações e providências das autoridades israelenses.

Ao encerrar a entrevista, Thiago Ávila reforçou que pretende continuar atuando nas missões humanitárias em apoio à população palestina. “É muito duro fazer o que fazemos, mas quando pensamos nas crianças de Gaza, sabemos que precisamos continuar”, declarou.

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