Governo Lula não vai socorrer BRB, diz Guimarães, após prisão de ex-presidente
Ministro diz que União não deve cobrir rombo de R$ 12,2 bilhões do banco do DF e cobra solução local
247 - O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve atuar para socorrer o BRB (Banco de Brasília), em função de um rombo estimado em R$ 12,2 bilhões. Para Guimarães, a crise deve ser resolvida pelo próprio Distrito Federal, sem apoio direto da União. “Eu, se esse assunto chegar, sou radicalmente contrário a socorrer o BRB”, disse o ministro nesta quinta-feira (16), de acordo com a Folha de São Paulo.
Pressão do GDF por ajuda federal
A declaração ocorre após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), cobrar apoio da União diante da crise. Segundo ela, o governo federal não respondeu aos pedidos de auxílio. “O governo federal não deu nenhuma resposta sobre nenhuma ajuda. Pedimos tudo, acho que não tem a boa vontade de fazer”, afirmou. No fim de março, a governadora chegou a discutir o tema com o então secretário-executivo do Ministério da Fazenda e atual ministro, Dario Durigan, mas não houve avanço nas negociações.
Solução local e medidas emergenciais
Diante da negativa da União, o governo do Distrito Federal aprovou uma legislação que permite a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito, inclusive com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A medida também autoriza o reforço do capital do banco pelo próprio GDF, na condição de acionista controlador.
A crise do BRB está relacionada à aquisição de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master, operação que acabou barrada pelo Banco Central e revelou fragilidades financeiras na instituição.
Investigações e prisão de ex-presidente dop BRB
O caso ganhou novos desdobramentos com a prisão nesta quinta-feira do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que ele teria ocultado seis imóveis recebidos como propina, avaliados em R$ 146,5 milhões.
Guimarães comentou o episódio e destacou a atuação das autoridades. “A Polícia Federal tem feito um trabalho extraordinário”, disse, acrescentando que a orientação do presidente Lula é investigar “doa em quem doer”. O ministro também relatou sua reação ao tomar conhecimento da operação: “Quando eu vi a notícia disse: ‘Vixe! Pensei que tinham prendido o Ibaneis’”.
Defesa contesta acusações
A defesa de Paulo Henrique Costa rebate as acusações e afirma que não houve crime. O advogado Cléber Lopes criticou a decisão judicial e classificou a prisão como exagerada. “A defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique não cometeu crime algum”, declarou.


