Em meio a crise de Flávio Bolsonaro, extrema direita está em um beco sem saída, diz Marcelo Dias
Comentarista afirma que crise de Flávio Bolsonaro agrava derrocada do PL e fortalece o cenário político para Lula
247 - A crise envolvendo Flávio Bolsonaro, o PL e o caso Banco Master colocou a extrema direita “em um beco sem saída”, afirmou o analista Marcelo Dias no Giro das Onze, da TV 247, nesta quarta-feira (20), ao avaliar que o campo bolsonarista enfrenta uma derrocada política em meio ao avanço das investigações e à disputa pela sucessão presidencial.
No programa, Dias analisou a reunião do PL com Flávio Bolsonaro, as suspeitas relacionadas ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e o impacto político das revelações sobre a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro. Para o comentarista, a imagem pública da extrema direita foi atingida de forma profunda após a divulgação de áudios e informações sobre visitas e pedidos de recursos.
“Realmente aquela cena de ontem, o cara visitou, ele não só mandou o áudio cobrando aquela grana, 134 milhões, mas o sujeito tornou zeleira, ele foi lá visitar o cara”, afirmou Marcelo Dias, referindo-se a Flávio Bolsonaro e a Daniel Vorcaro. Em seguida, ele acrescentou: “A extrema direita está sendo desmascarada. A extrema direita está recebendo o que ela merece”.
Segundo Dias, a crise não atinge apenas Flávio Bolsonaro, mas todo o campo político que se estruturou em torno do PL e do bolsonarismo. Ele citou também Ciro Nogueira e a repercussão de denúncias recentes envolvendo lideranças da direita. Para o comentarista, o partido e seus aliados buscam alternativas, mas esbarram na dependência política em relação a Jair Bolsonaro.
“O que nós estamos vendo é uma derrocada do PL, da extrema direita”, disse. “Os cara já buscando uma alternativa que não existe fora do desejo do patriarca. Não existe essa alternativa porque o bolsonarismo, o Bolsonaro, ele tem ali uma base de 35% mais ou menos. E eles não vão abrir mão disso”.
Marcelo Dias também recuperou uma declaração atribuída a Carlos Bolsonaro para sustentar que a família não deve aceitar facilmente uma candidatura fora do núcleo familiar. “O Carlos deu essa declaração alguns meses atrás. Ele prefere perder as eleições do que apresentar uma alternativa que não seja do sangue familiar”, afirmou.
Na avaliação do comentarista, o centrão observa o enfraquecimento de Flávio Bolsonaro com pragmatismo, orientado pelas pesquisas e pela perspectiva de poder. “O centrão não tem saída, o centrão está rediscutindo e a gente sabe que o centrão se guia pelas pesquisas eleitorais, pela perspectiva de poder”, declarou.
Dias afirmou ainda que Lula já apresentava recuperação antes do agravamento da crise envolvendo Flávio. Para ele, a situação política tende a favorecer o presidente, sobretudo diante de medidas sociais e econômicas anunciadas pelo governo. O comentarista citou programas voltados ao alívio da dívida da população, trabalhadores de aplicativos, habitação e mudanças no Imposto de Renda.
“O Lula, que já estava crescendo, se recuperando junto à população, antes do escândalo, antes do Intercept divulgar o vídeo, ele já estava ali colando, empate técnico no segundo turno com o Flávio. Disparou agora”, disse Marcelo Dias.
O comentarista também apontou que a extrema direita passou a disputar o espaço deixado pelo desgaste de Flávio Bolsonaro. Ele mencionou os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado como nomes atentos ao eventual esvaziamento da candidatura do senador. Ainda assim, avaliou que a direita bolsonarista enfrenta dificuldades para se reorganizar sem a autorização política de Jair Bolsonaro.
“A extrema direita está num beco sem saída. Eles não podem tomar nenhuma decisão por trás do Bolsonaro”, afirmou.
Ao traçar um paralelo histórico, Marcelo Dias comparou a eleição de parlamentares bolsonaristas em 2018 ao efeito eleitoral produzido por lideranças fortes em outras conjunturas. Segundo ele, muitos nomes da extrema direita chegaram ao Congresso impulsionados pela onda bolsonarista, sem formação política consistente.
“Esses caras que chegaram na Câmara Federal sem nenhuma qualificação, a gente fica vendo o debate, o enfrentamento deles com o PCdoB, com PSB, com PSOL, com a nossa turma do PT. Os caras são desmoralizados, massacrados. Nenhum deles tem formação política nenhuma”, declarou.
O comentarista também afirmou que Flávio Bolsonaro teria dificuldade em sustentar uma campanha presidencial diante de seu histórico político no Rio de Janeiro. Dias citou a CPI das Milícias, a atuação de Marcelo Freixo e episódios envolvendo a Assembleia Legislativa do Rio.
“Esse cara não tem condição de enfrentar o Lula num debate pelo seu histórico”, afirmou. “Você acompanha o Marcelo Freixo teve um irmão assassinado pela milícia. Quando o deputado montou a CPI das milícias, que colocou dezenas e dezenas de milicianos na cadeia, enquanto o maior adversário do Marcelo Freixo na Assembleia Legislativa era o Flávio Bolsonaro”.
Dias também mencionou suspeitas e episódios envolvendo o clã Bolsonaro, como o caso Queiroz, a loja de chocolates e acusações de lavagem de dinheiro. Ao comentar o caso Banco Master, afirmou que novas perguntas devem marcar a disputa política. “E agora o Vorcaro? Tá todo mundo perguntando agora. E agora o Vorcaro?”, disse.
O comentarista ainda relacionou a crise ao cenário político do Rio de Janeiro. Segundo ele, a influência da família Bolsonaro no estado precisa ser examinada no contexto de denúncias e investigações sobre contratos, hospitais federais e investimentos públicos. “É uma quadrilha que tomou o estado do Rio de Janeiro sobre a liderança da família Bolsonaro”, afirmou.
Marcelo Dias defendeu o fortalecimento dos órgãos de investigação e da Polícia Federal. Para ele, o combate à corrupção deve mirar os grandes esquemas econômicos e financeiros, não apenas os personagens periféricos. “Chegou a hora de nós mostrarmos para a população quem tem uma política verdadeiramente de combate à corrupção, de desmontar os grandes esquemas mafiosos que dominam o nosso país e principalmente o estado do Rio de Janeiro”, declarou.
No debate, Dias também abordou a segurança pública nas favelas do Rio. Ele comentou uma pesquisa sobre a percepção de moradores de grandes complexos, como Alemão, Penha, Maré e Rocinha, a respeito das operações policiais. Segundo o comentarista, a maioria dos moradores defende uma política de segurança que não se limite a incursões violentas.
“Essa pesquisa mostrou que a maioria dos moradores de quatro grandes complexos, todos eles com mais de 100.000 moradores, complexo da Penha, complexo do Alemão, a Rocinha, a maior favela da América Latina, o complexo da Maré, com mais de 150.000 moradores, a grande maioria da população defende uma nova política de segurança”, afirmou.
Ele criticou pesquisas que, na sua avaliação, não ouviram adequadamente os moradores das favelas após operações policiais de grande letalidade. “Se os pesquisadores ouvem essa população de Paraisópolis, das grandes favelas de Salvador, do Nordeste, do Recife, das quebradas, como o pessoal de São Paulo gosta de falar, essas pesquisas iriam retratar a realidade, não ouvir só os bairros de classe média, os bairros ricos”, disse.
Marcelo Dias também comentou o governo interino de Ricardo Couto no Rio de Janeiro. Para ele, a gestão vem promovendo uma limpeza administrativa necessária em um estado marcado por sucessivas crises políticas e judiciais. “Ricardo Couto vai ficando, está fazendo uma limpeza no estado, uma limpeza necessária que eu não sei se o governador que será eleito em outubro vai dar continuidade”, afirmou.
Ao tratar da política nacional, Dias mencionou decisões envolvendo a extradição de Carla Zambelli, a regulação das big techs e negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Na avaliação dele, o governo Lula deve transformar a responsabilização das plataformas digitais em uma bandeira política.
“As big techs têm que ser uma bandeira da campanha. O Lula tem que falar que o nosso governo vai pressionar as big techs”, defendeu.
No fim de sua participação, Marcelo Dias também comentou a pré-candidatura de Benedita da Silva ao Senado pelo Rio de Janeiro. Segundo ele, a deputada saiu fortalecida de uma disputa interna sobre a indicação de suplentes e segue mobilizada para a campanha.
“A Benedita tá com bloco na rua, tá fazendo eventos massivos”, afirmou. “É importante a Benedita ir no Giro das Onze, no 247, que é um canal de comunicação alternativo nosso, de defesa da democracia, de defesa dos setores progressistas”.



