Em discurso, Lula exalta a democratização do acesso a medicamentos de alta complexidade pelo SUS
Presidente afirma que produção nacional garante soberania e amplia acesso gratuito a remédios de alto custo
247 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou nesta terça-feira (3) a indústria brasileira de biotecnologia Bionovis e defendeu a ampliação do acesso gratuito a medicamentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Durante o evento, Lula destacou o papel do Estado como indutor do desenvolvimento industrial e ressaltou que a produção nacional de remédios estratégicos representa soberania tecnológica e sanitária.
A agenda ocorreu na sede da empresa, que mantém parcerias com laboratórios públicos e integra a política do governo federal voltada ao fortalecimento do complexo industrial da saúde. A Bionovis atua no desenvolvimento e na fabricação de medicamentos biológicos de alta complexidade destinados ao SUS.
Ao comentar o custo elevado de determinados tratamentos, Lula exibiu embalagens de medicamentos e detalhou os valores. “Essa mais verde aqui tem duas seringas aqui dentro. Ela custa exatamente 6 mil reais. Cada seringa. Se uma pessoa for tomar duas, vai gastar 12 mil reais. Como no Brasil, 90% do povo brasileiro ganha até 5 mil reais por mês, significa que 90% do povo brasileiro, se não existisse o SUS, não poderia comprar esse remédio”, afirmou.
O presidente também mencionou outro medicamento de alto valor. “Esse maior custa 4 mil reais a caixinha, olha. Parece que tem ouro aqui dentro. Mas isso aqui tem vida, que é mais importante do que o ouro”, declarou.
Lula relembrou a criação do SUS na Constituição de 1988 e criticou setores que, segundo ele, desacreditavam da atuação estatal na área da saúde. “Nós criamos o SUS na Constituição de 1988. [O Brasil] foi o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes a ter um sistema único de saúde. Nós fomos tripudiados por pessoas que não acreditavam nas políticas do Estado”, disse. E acrescentou: “Normalmente as pessoas que criticavam nunca tinham utilizado o SUS”.
Ao abordar a pandemia, o presidente destacou a atuação do sistema público. “O SUS saiu agigantado da Covid-19, porque se não fosse o SUS, se não fosse pelos médicos do SUS, se não fosse pelos funcionários do SUS, teria morrido muito mais gente”, afirmou. Ele também declarou que parte das mortes ocorreu por “irresponsabilidade de quem governava esse país e de quem cuidava da saúde desse país”.
Lula enfatizou o caráter universal do sistema. “Se o dono do Banco Itaú precisar comprar esse remédio aqui, ele pode ir no SUS e vai pegar de graça. Mas se o companheiro que está ali atrás daquela câmara precisar tomar esse remédio, ele vai pegar também o remédio de graça no SUS. Significa que para o SUS não vale o preço que as pessoas nasceram”, afirmou.
Segundo o presidente, cabe ao Estado fomentar a produção estratégica. “O Estado não tem que ser o produtor, ele não tem que ter a fábrica, o que ele tem é que ser o indutor, o que ele tem é que criar política de crédito, financiamento e ajudar a produção”, disse.
Ao defender a produção nacional de medicamentos biológicos, Lula associou a iniciativa à soberania. “Isso aqui chama-se soberania. Soberania na saúde, soberania tecnológica. e soberania na capacidade de fabricar uma coisa que só quatro países fabricam”, declarou.
Atualmente, a Bionovis mantém 12 parcerias com instituições internacionais e laboratórios públicos brasileiros, como Biomanguinhos/Fiocruz, Bahiafarma e a Fundação Ezequiel Dias (Funed). Por meio dessas parcerias de desenvolvimento produtivo, a empresa fornece mais de 19 milhões de frascos e seringas ao SUS. O Ministério da Saúde informa que os investimentos no setor somam R$ 15 bilhões, com foco em inovação e fortalecimento da indústria nacional.


