Aliança Global contra a Fome e a Pobreza abre escritório regional em Brasília
Iniciativa consolida a capital federal como hub de coordenação técnica e de articulação internacional em torno da agenda de combate à fome e à pobreza
247 - Marcando mais um passo na luta contra a fome e a pobreza, a Aliança Global inaugurou, nesta terça-feira (3.03), o escritório regional em Brasília, instalado no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A solenidade contou com a presença do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e copresidente da Aliança Global, Wellington Dias, juntamente com a presidente do Ipea, Luciana Servo, entre outras autoridades.
O escritório de Brasília é o primeiro hub regional da Aliança em plena operação, fortalecendo o Mecanismo Global de Apoio junto a sua sede principal em Roma. A presença ampliada reforça o compromisso de longo prazo da Aliança em unir esforços liderados pelos países com apoio internacional.
O lançamento ocorre na esteira de um novo relatório das Nações Unidas que mostra que os países da América Latina e do Caribe reduziram a subalimentação pelo quarto ano consecutivo. Esse progresso reflete esforços nacionais contínuos e ações direcionadas em toda a região. Muitas dessas experiências estão documentadas na Cesta de Políticas da Aliança Global, que agrega instrumentos de políticas públicas baseados em evidências e lições de implementação advindas de países de diferentes regiões.

Também estiveram presentes na inauguração representantes seniores da China, de Cuba, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e de outros membros da Aliança.
“A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza é uma prioridade do governo do presidente Lula. Nasceu da convicção de que a fome não é uma fatalidade, é uma escolha política. E o Brasil decidiu liderar o esforço global para reverter essa escolha”, enfatizou o ministro Wellington em seu discurso no evento.
Para Dias, a inauguração do escritório marca a consolidação institucional da Aliança. “O Mecanismo de Apoio irá operar com escritórios em Roma, Bangkok, Adis Abeba, Washington e Brasília. Essa presença global reforça a projeção internacional da Aliança e a capacidade de apoiar os países onde eles mais precisam”, disse.
A presidenta do Ipea, Luciana Servo, lembrou que o instituto apoiou tecnicamente a Força Tarefa contra a Fome e a Pobreza do G20 e fez parte da equipe interina do Mecanismo de Apoio da Aliança Global ao longo de 2025.
"O escritório regional da Aliança Global em Brasília lidera o Pilar do Conhecimento dessa iniciativa e age como ponto focal para as demandas de cooperação técnica e financeira vindas de países da América Latina e do Caribe. Receber o escritório demonstra o reconhecimento desta instituição como produtora de conhecimento, como centro de excelência em monitoramento e avaliação de políticas públicas e em cooperação internacional", afirmou. "Além disso, reforça sua missão institucional de informar, por evidências, a tomada de decisão do Estado e o debate público, particularmente nos processos voltados ao combate à fome e a pobreza. O Ipea seguirá apoiando o secretariado da Aliança na manutenção da Cesta de Políticas Públicas e nas demandas de cooperação técnica", completou.
Formalizada na Cúpula do G20 de 2024 no Rio de Janeiro, a Aliança Global coordena políticas, financiamento e apoio técnico para acelerar os esforços de erradicação da fome e da pobreza extrema até 2030. Além de atuar como um hub para mobilizar apoio a programas conduzidos por governos na região, o escritório de Brasília vai liderar a curadoria da Cesta de Políticas, ajudando a conectar a demanda de diferentes países a soluções comprovadas.
Os avanços da América Latina no combate à fome não são apenas uma história regional de sucesso, mas também uma base para cooperação. Por meio da Aliança, formuladores de políticas da região trabalharão lado a lado com seus pares na África e na Ásia para adaptar abordagens comprovadas contra a fome e a pobreza às diferentes realidades locais. A urgência de fortalecer a cooperação é clara. Países da África Subsaariana e do Sul da Ásia continuam enfrentando insegurança alimentar aguda, com interrupções nas rotas marítimas pelo Mar Vermelho e aumento dos preços dos combustíveis após a instabilidade no Oriente Médio adicionando outras camadas de risco.