Eduardo Bolsonaro falta a interrogatório no STF e processo avança
Ausência leva à suspensão da oitiva e abre prazo para novas diligências no caso que envolve supostas pressões externas contra ministros
247 - A ausência do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em um interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (14), levou à suspensão do ato processual e abriu uma nova etapa no andamento da ação em que ele é investigado por suposta articulação internacional contra autoridades brasileiras. Sem o comparecimento do réu, o procedimento foi considerado prejudicado e novas medidas poderão ser solicitadas pelas partes.
Eduardo Bolsonaro não indicou advogado constituído e, por isso, é representado pela Defensoria Pública da União (DPU) no processo. Durante a audiência, o juiz auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, registrou a ausência do parlamentar e determinou a abertura de prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a DPU se manifestem sobre a necessidade de novas diligências.
Caso não haja solicitação de medidas adicionais, o processo poderá avançar para a fase de alegações finais — etapa em que acusação e defesa apresentam seus últimos argumentos antes de eventual julgamento. Nesse cenário, a PGR se manifesta primeiro, seguida pela defesa.
De acordo com a investigação conduzida pela PGR, Eduardo Bolsonaro teria atuado junto a integrantes do governo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de estimular a adoção de sanções e tarifas contra o Brasil e contra ministros do Supremo. A iniciativa seria interpretada como uma forma de retaliação a julgamentos em curso na Corte brasileira.
A acusação também envolve o produtor de conteúdo Paulo Figueiredo, apontado como aliado da família Bolsonaro. Conforme a PGR, ambos teriam adotado uma estratégia baseada na pressão indireta sobre ministros do STF, explorando conexões políticas nos Estados Unidos, inclusive com integrantes do alto escalão do governo norte-americano.
Ainda segundo a Procuradoria, essa atuação buscaria intimidar autoridades do Judiciário brasileiro por meio da possibilidade de sanções internacionais, ampliando o alcance das disputas políticas para o cenário externo.


