Edinho Silva defende diálogo do PT com o centrão
Presidente do PT afirma que partidos integram a base governista e que divergências são naturais, mas nega apoio à reeleição de Ciro Nogueira no Piauí
247 - O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (10) que o diálogo mantido pelo partido com líderes de siglas do centrão não representa contradição política. Em entrevista à GloboNews, segundo o G1, Edinho disse que as conversas com partidos como União Brasil e Progressistas (PP) ocorrem porque essas legendas integram a base do atual governo federal, ainda que existam divergências e discordâncias internas.
O presidente do PT também argumentou que, em um sistema democrático, é comum haver diferenças entre aliados e defendeu que a construção política deve levar em conta tanto o cenário nacional quanto as particularidades de cada estado.
Edinho defende articulação com PP e União Brasil
"É natural que na democracia se tenha essa divergência. Eles fazem parte. Vamos debater projeto nacional e disputas nos estados. Há aliança nacional e aliança estado por estado. Temos que enxergar a realidade política de cada estado brasileiro", afirmou Edinho Silva.
O dirigente petista apresentou essa posição ao ser questionado sobre a recente reaproximação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas. Nogueira foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL) e, após deixar o cargo, passou a se posicionar como crítico do governo atual.
Apesar disso, o senador piauiense já manteve proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em governos anteriores do PT, sendo considerado um dos principais líderes do centrão no Congresso Nacional.
Reaproximação com Ciro Nogueira e a disputa no Piauí
A avaliação dentro do PT é de que a aproximação com Ciro Nogueira pode ajudar a afastar o PP de uma possível aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República e filho de Jair Bolsonaro (PL).
Edinho Silva, no entanto, afirmou que o diálogo político não implica compromisso eleitoral com o senador, especialmente em relação à disputa no Piauí. Segundo ele, não existe contrapartida envolvendo apoio do PT à reeleição de Ciro Nogueira.
PT diz que estratégia eleitoral no estado não será alterada
O presidente do PT também declarou que o partido já tem uma estratégia definida para o Piauí, estado governado atualmente pelo petista Rafael Fonteles, e garantiu que essa orientação não será modificada.
"Nossa tática eleitoral no Piauí está decidida: governador Rafael à reeleição e ao Senado é o Marcelo e o Julio Cesar. Não vamos alterar tática eleitoral no Piauí de forma alguma. Isso não impede que nós possamos estar na mesma mesa dialogando com o PP e com o União Brasil um projeto para o país", disse Edinho.
Segundo o G1, pesquisas eleitorais indicam que Ciro Nogueira não teria reeleição garantida caso a disputa fosse realizada atualmente, enquanto Rafael Fonteles apresenta índices de aprovação considerados confortáveis.
Edinho comenta futuro de Geraldo Alckmin em 2026
Durante a entrevista, Edinho Silva também comentou a avaliação do PT sobre o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e seu papel nas eleições de 2026. De acordo com o dirigente, o partido respeitará a escolha de Alckmin sobre qual cargo pretende disputar.
"Se ele entender que nas eleições de 2026 o melhor papel que ele pode cumprir é continuar na vice, nós respeitaremos", declarou. Edinho também destacou a recepção do vice-presidente em evento do partido realizado em Salvador e reiterou que Alckmin terá autonomia para decidir seu futuro político.
"Nós temos pelo vice-presidente um respeito imenso. O partido tem, no ato em Salvador, ele só não foi mais aplaudido que o presidente Lula. Partido mostrou e demonstrou muito carinho pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Eu tenho dito que o vice-presidente será candidato ao cargo que ele quiser. E, claro, nós queremos apoio de todos os partidos que pertencem à base do presidente Lula", afirmou.u.


