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Defesa de Vorcaro entrega anexos da proposta de delação premiada à PF e à PGR

Ex-dono do Banco Master apresentou anexos com relatos sobre supostas fraudes e possível envolvimento de políticos e integrantes do Judiciário

Foto mostra o banqueiro Daniel Vorcaro na prisão (Foto: Reprodução )

247 - A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) uma proposta de delação premiada envolvendo o caso investigado na Operação Compliance Zero.

Os investigadores começaram a analisar os anexos apresentados pelos advogados de Vorcaro, que detalham temas relacionados às supostas fraudes atribuídas ao antigo comando do Banco Master. O material poderá servir de base para um eventual acordo de colaboração premiada, que ainda depende de avaliação da PF, da PGR e, posteriormente, de homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta apresentada pela defesa é composta por diferentes capítulos temáticos. Em cada um deles, os advogados apontam possíveis envolvidos nos supostos crimes e indicam caminhos para comprovação dos fatos relatados. Até o momento, porém, não foram entregues documentos nem depoimentos formais que sustentem as acusações.

Caso as autoridades decidam avançar nas negociações, Vorcaro poderá prestar depoimentos oficiais e apresentar provas em troca de benefícios previstos na legislação, como redução de pena, mudança de regime prisional ou outras medidas negociadas no âmbito do acordo.

Investigadores esperam que o ex-banqueiro apresente informações sobre o suposto envolvimento de políticos e integrantes do Judiciário no esquema investigado. Outro foco de interesse das autoridades é o rastreamento de movimentações financeiras realizadas por Vorcaro no exterior.

A proposta de colaboração foi apresentada após cerca de um mês e meio de reuniões frequentes entre Vorcaro e sua equipe de defesa na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde ele permanece preso desde março deste ano. Antes disso, ele chegou a ficar detido na penitenciária federal de segurança máxima de Brasília.

Se houver concordância entre a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, o acordo será submetido ao ministro André Mendonça, do STF, atual relator do caso envolvendo o Banco Master.

As autoridades já indicaram à defesa que um eventual acordo só será aceito caso Vorcaro apresente informações inéditas, além dos dados já obtidos nos celulares apreendidos pela investigação no fim de 2025.

Nos bastidores, advogados que acompanham o caso avaliam que a entrega dos anexos teria sido acelerada após o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, também sinalizar interesse em negociar uma delação premiada. Costa foi preso na fase mais recente da Operação Compliance Zero.

A legislação brasileira prevê que acordos de colaboração premiada só tenham validade quando produzem resultados concretos para as investigações. Entre os requisitos estão a identificação de outros envolvidos, esclarecimento da estrutura do suposto grupo criminoso, rastreamento de recursos financeiros e eventual recuperação de ativos desviados.

A Polícia Federal e o Ministério Público ainda terão de verificar a veracidade das informações eventualmente apresentadas por Vorcaro. Pela lei, a palavra do colaborador não é suficiente, sozinha, para fundamentar acusações criminais.

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, a PF afirmou suspeitar de uma tentativa de fuga. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes estimado em R$ 12 bilhões.

Um dia após a prisão do banqueiro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando problemas de liquidez e insolvência financeira. A medida desencadeou uma operação de resgate superior a R$ 50 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Após ser solto em novembro do ano passado, Vorcaro conseguiu transferir o caso para o Supremo Tribunal Federal por decisão do ministro Dias Toffoli, que também determinou sigilo sobre os autos. Em fevereiro deste ano, Toffoli deixou a relatoria após a PF encontrar menções a ele em mensagens armazenadas no celular do banqueiro. André Mendonça assumiu o processo e, em março, determinou uma nova prisão preventiva de Vorcaro.

Na decisão, Mendonça acolheu argumentos da Polícia Federal de que o ex-banqueiro seria líder de uma organização criminosa voltada à vigilância e intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses do Banco Master.

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