COP30 deve ser marco da implementação de acordos climáticos, diz Marina Silva
Ministra defende que a conferência em Belém não pode se limitar a debates e cobra ações concretas para manter a meta de 1,5°C
247 - A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou neste sábado (16) que a COP30, prevista para novembro em Belém (PA), não pode repetir o padrão de encontros anteriores. Em declaração publicada pelo Valor Econômico, Marina ressaltou que o Brasil precisa liderar um encontro voltado para a implementação das decisões já firmadas em edições passadas, especialmente após a COP28 em Dubai.
“Essa COP não pode ser somente para debater e discutir, tem que ser a COP da implementação”, disse. Para a ministra, o mundo vive uma situação de emergência climática e não há mais espaço para adiar compromissos assumidos. “Não temos outro caminho a não ser implementar decisões que já tomamos”, reforçou.
A meta de 1,5°C como linha vermelha
Marina Silva destacou a urgência de manter a meta central do Acordo de Paris: limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. “Não podemos deixar ultrapassar [meta] de 1,5°C. Nenhum ponto a mais”, advertiu, lembrando que a superação desse limite intensificaria eventos extremos e impactos irreversíveis.
Apesar das dificuldades do cenário geopolítico, a ministra cobrou que governos e empresas ouçam os cientistas e atuem em conjunto. “Agora a sociedade tem que dizer para todos nós que somos tomadores de decisão, governos, empresas e todos, que nós não temos como não implementar os acordos já firmados”, afirmou.
Decisões já tomadas em Dubai
Na avaliação da ministra, não se trata de discutir novos compromissos, mas de executar o que já foi pactuado. Ela recordou que na COP28, realizada nos Emirados Árabes Unidos, foi estabelecido um pacote que inclui a triplicação das energias renováveis, duplicação da eficiência energética, criação do fundo de perdas e danos e aceleração da transição para o fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento.
“As decisões estratégicas foram tomadas, mas elas precisam ser implementadas”, enfatizou. Segundo Marina, a questão central não é “como vamos conseguir isso”, mas sim “o que vai acontecer se não conseguirmos”.
Financiamento climático e responsabilidades do Sul Global
A ministra também mencionou estudo apresentado por Iago Montalvão, do projeto Transforma, que defende que os países em desenvolvimento devem propor uma nova meta de financiamento climático na ordem de US$ 1,3 trilhão. A cifra supera em larga escala os US$ 300 bilhões acordados na COP29, no Azerbaijão, em 2024.
Esse ponto, segundo Marina, evidencia a necessidade de justiça climática e de recursos para que as nações do Sul Global consigam cumprir seus compromissos ambientais.
Mobilização rumo à COP30
As declarações ocorreram durante o 60º treinamento para novas lideranças climáticas no Rio de Janeiro, organizado pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, fundador do Climate Reality Project. O evento integra o “Reality Tour”, série de encontros globais que busca mobilizar atores políticos e sociais na pressão por medidas concretas antes da conferência em Belém.
Marina Silva deixou claro que o Brasil será cobrado por resultados concretos. “Nós não temos como fugir disso”, disse. “A sociedade internacional precisa de respostas imediatas.”
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