Centrão desconfia de Flávio Bolsonaro e aposta no pós-Lula
Bloco prevê a reeleição do presidente Lula e mira expansão no Congresso a partir de 2027
247 - Partidos do Centrão passaram a trabalhar com metas eleitorais agressivas para os próximos ciclos políticos, impulsionados pela desconfiança em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e pela avaliação de que o presidente Lula (PT) pode conquistar a reeleição. A estratégia em debate entre as principais lideranças do bloco envolve ampliar significativamente as bancadas no Congresso Nacional a partir de 2027, fortalecendo o Legislativo como espaço central de poder e articulação, informa Igor Gadelha, do Metrópoles.
Dirigentes do centrão avaliam que o movimento tem relação direta com a construção de um cenário para 2030, diante da possibilidade de um quarto mandato de Lula. Na leitura desses caciques, o PT ainda não teria um nome capaz de herdar o capital político do presidente e liderar uma disputa sucessória com força nacional, o que abriria espaço para a ascensão de um projeto político originado no Congresso.
Nesse contexto, o PSD, presidido por Gilberto Kassab, estabeleceu como objetivo ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados de 47 para 70 parlamentares. No Senado, a legenda pretende reeleger 11 dos 13 senadores que atualmente representam o partido. Já a federação formada por PP e União Brasil projeta aumentar sua presença no Congresso de 119 para 130 parlamentares.
A avaliação predominante entre líderes do bloco é de que um Legislativo numericamente mais forte pode criar as condições necessárias para impulsionar, no futuro, um nome presidencial oriundo do próprio Congresso, reduzindo a dependência de lideranças tradicionais do Executivo.
As articulações atuais também refletem frustrações recentes do centrão no campo presidencial. PSD e a federação PP–União Brasil chegaram a apostar no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como possível candidato à Presidência da República em 2026. A expectativa, no entanto, não se concretizou após Jair Bolsonaro (PL) optar por lançar o senador Flávio Bolsonaro como seu candidato.
De acordo com aliados do ex-presidente e do senador, a decisão teve como objetivo preservar o legado político da família Bolsonaro após a prisão do ex-mandatário, movimento que contrariou os planos do centrão e reforçou, entre suas lideranças, a aposta em uma estratégia própria de fortalecimento institucional para os próximos anos.


