Caso Zambelli deve abrir caminho para extradição de bolsonaristas fugitivos, diz Lindbergh
Deputado do PT afirma que decisão da Justiça italiana reforça igualdade perante a lei e critica estratégia de fuga de bolsonaristas
247 - A autorização da Justiça italiana para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) ao Brasil provocou reação no meio político. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta quinta-feira (26) que o caso deve servir como precedente para a responsabilização de outros aliados do bolsonarismo que estão fora do país.
A decisão da Justiça da Itália foi comunicada ao governo brasileiro e abre caminho para o retorno de Zambelli, que está presa desde 29 de julho de 2025. A medida ocorre após condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a expectativa é que a transferência ocorra nas próximas semanas.
Para Lindbergh, o episódio ultrapassa o caso individual e tem implicações políticas mais amplas. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou: “A Justiça italiana aceitou a extradição de Carla Zambelli ao Brasil e a notícia tem um significado político que vai muito além do caso individual”. Ele acrescentou que “a fuga para o exterior, a encenação de perseguição e a aposta na impunidade internacional não podem se consolidar como método da extrema-direita brasileira”.
O deputado também afirmou que a decisão judicial “desmonta essa farsa e reafirma o princípio elementar da democracia de igualdade de todos perante a lei”. Em sua avaliação, o caso deve abrir precedentes para outras medidas semelhantes. “Esse caso precisa abrir caminho para a extradição e a responsabilização dos demais fugitivos ligados ao bolsonarismo”, escreveu.
Lindbergh citou ainda situações envolvendo outros nomes ligados ao campo político de Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, “o próprio STF informou que Alexandre Ramagem está foragido nos Estados Unidos, enquanto Eduardo Bolsonaro segue fora do país e passou a operar à distância dentro da mesma lógica de vitimização, pressão externa e tentativa de sobrevivência política fora do alcance imediato das instituições brasileiras”.
Na mesma publicação, o parlamentar criticou o que classificou como padrão de atuação desses grupos. “O modus operandi é conhecido: deixar o Brasil, atacar as instituições de longe e apostar que o tempo, a blindagem e o espetáculo corroam a força da lei”, afirmou.
O deputado também comentou o cenário interno envolvendo Jair Bolsonaro. “É nesse contexto que a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro é tão grave do ponto de vista político e institucional”, escreveu. Para ele, há um problema de percepção de desigualdade no sistema de Justiça. “Quando o sistema penal se mostra implacável com os de baixo e complacente com os de cima, ele deixa de transmitir justiça e passa a transmitir privilégio”, afirmou.
Lindbergh concluiu defendendo a aplicação uniforme da lei. “Ou a lei vale para todos, alcançando também quem fugiu, afrontou a Justiça e conspirou contra a democracia, ou o sistema penal perde legitimidade diante do país”, declarou.
Enquanto isso, a defesa de Carla Zambelli informou que pretende recorrer da decisão italiana. De acordo com os advogados, o caso será levado à Corte de Apelação do país, o que pode impactar o cronograma da extradição. Mesmo com a autorização judicial, o processo ainda depende da análise da instância superior, o que pode prolongar a permanência da ex-deputada na Itália.


