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Campos Neto nega responsabilidade no caso Master e isenta presidência do BC de "falhas cometidas por terceiros"

Ex-presidente afirma que cúpula do Banco Central não atua sobre bancos médios e pequenos e rejeita responsabilidade no caso Banco Master

Roberto Campos Neto (Foto: Reuters/Ueslei Marcelino)

247 - O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira (23) que a cúpula da instituição não atua diretamente sobre operações de bancos de médio porte e, por isso, não pode ser responsabilizada por eventuais falhas cometidas por terceiros. A manifestação ocorre no contexto de investigações envolvendo o Banco Master.

As apurações tratam de possíveis irregularidades ocorridas entre 2019 e 2023, período em que Campos Neto esteve à frente da autoridade monetária. A Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou processos administrativos disciplinares contra ex-integrantes do Banco Central, incluindo o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana.

Na nota divulgada por sua assessoria, Campos Neto ressaltou que ambos são servidores de carreira e já integravam a instituição antes de sua gestão, permanecendo nos quadros do Banco Central após sua saída, no fim de 2024.

O ex-presidente também destacou a estrutura de supervisão do sistema financeiro, que organiza as instituições de acordo com o porte. Bancos classificados como S1 e S2 — com maior relevância sistêmica — são acompanhados diretamente pela diretoria executiva. Já instituições do segmento S3, como o Banco Master, ficam sob responsabilidade de áreas técnicas específicas.

Controlado por Daniel Vorcaro, o Banco Master representava cerca de 0,57% dos ativos totais do sistema financeiro nacional, sendo considerado de médio porte dentro da classificação do Banco Central.

Na manifestação, a assessoria afirmou: “São funcionários de carreira, que já estavam lá antes da gestão de Roberto Campos e assim seguiram até ano passado. O Diretor Paulo deixou a diretoria e assumiu como chefe adjunto do Desup Departamento de Supervisão Bancária, que monitorava bancos pequenos e médios, e permaneceu lá até a liquidação.”

O texto prossegue: “Os dois funcionários em questão contavam com o apoio dos quadros internos do próprio banco. A presidência do Banco Central não trata das operações específicas de bancos do segmento S3 e não pode ser responsabilizada por falhas de terceiros. A área de fiscalização e supervisão tem uma tradição histórica de ter funcionários de carreira do BC e foi o que ocorreu na gestão de Roberto Campos Neto.”

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