CGU abre processos contra ex-diretores do BC sobre favorecimento ao Master
Investigados são o ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana
247 - A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processos administrativos disciplinares contra dois ex-integrantes do alto escalão do Banco Central (BC), suspeitos de favorecer interesses do Banco Master dentro da autarquia. A informação foi divulgada inicialmente pela Folha de S.Paulo.
Os investigados são o ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana. Segundo fontes com conhecimento das apurações, as provas reunidas em sindicância interna indicam que ambos podem ser expulsos do serviço público.
As portarias que oficializam a abertura dos Processos Administrativos Disciplinares (PADs) foram publicadas nesta segunda-feira (23) no Diário Oficial da União. Como os procedimentos tramitam sob sigilo, os nomes dos envolvidos não aparecem nos documentos, e o prazo para conclusão é de até 60 dias.
A defesa de Paulo Sérgio informou que aguarda a manifestação da CGU para a abertura do prazo de defesa e contraditório. Já os advogados de Belline Santana foram procurados, mas não responderam até a publicação. Paralelamente, a Polícia Federal do Brasil também investiga o caso, que pode ter desdobramentos na esfera criminal.
A CGU ainda avalia pedir a abertura de investigação por corrupção ativa contra Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central no ano passado. Segundo apurações, os envolvidos podem responder criminalmente e até considerar acordos de delação premiada.
De acordo com a reportagem, Paulo Sérgio é suspeito de manipular informações sobre a situação do banco durante a gestão de Roberto Campos Neto, fornecendo dados incorretos à diretoria e minimizando alertas do mercado. Em um dos episódios, ele apresentou à cúpula do BC a avaliação de que empresas ligadas ao Master tinham operações legítimas, conclusão que agora é questionada pelas investigações.


