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Previdência e BNDES firmam parceria para qualificar fundos de pensão em investimentos sustentáveis

Cooperação vai capacitar gestores para integrar critérios ambientais, sociais e de governança às decisões de investimento

Aloizio Mercadante e Wolney Queiroz (Foto: André Telles/BNDES)

247 - O Ministério da Previdência Social e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) avançaram em uma parceria voltada à capacitação de gestores de fundos de pensão para investimentos sustentáveis. A iniciativa foi discutida em reunião realizada na quinta-feira (12), no Rio de Janeiro, entre o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. O objetivo é promover cooperação técnica e educacional que amplie a qualificação de gestores e analistas das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs). As informações foram divulgadas pelo Ministério da Previdência Social.

A proposta busca fortalecer a análise de risco e aprimorar a gestão dos investimentos dos fundos de pensão, incorporando critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) aos processos de decisão. Atualmente, esses gestores já priorizam a sustentabilidade econômica e a rentabilidade das aplicações, mas a iniciativa pretende ampliar a avaliação de impactos socioambientais, alinhando os investimentos ao cenário global de transição energética e mudanças climáticas.

Durante o encontro, o ministro Wolney Queiroz destacou a importância de incluir fatores ambientais e sociais nas decisões de investimento dos fundos de pensão. “Desde a COP 30, a Previdência Social tem se debruçado sobre o impacto socioambiental nos investimentos dos fundos de pensão e esta é uma ação concreta para mudar a realidade dos investimentos”, afirmou. Ele acrescentou que a análise financeira continua sendo essencial, mas precisa ser acompanhada por novas variáveis ligadas às transformações do cenário energético e climático. “É natural que os gestores se preocupem com a sustentabilidade financeira, mas hoje é indispensável que acrescentem uma análise diante de um cenário de impactos climáticos e energia renovável”, completou.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o banco de fomento já atua fortemente no financiamento sustentável e que essa experiência poderá contribuir para o aprimoramento das estratégias de investimento dos fundos de pensão. “O BNDES consolidou-se como uma referência global em financiamento sustentável e análise de riscos climáticos. Nossa expertise está à disposição dos fundos de pensão para que eles possam identificar projetos robustos em energia limpa e infraestrutura verde, garantindo rentabilidade com responsabilidade social e ambiental”, declarou.

O BNDES apresenta atualmente um dos melhores desempenhos do sistema financeiro nacional. Em 2024, o banco registrou carteira de crédito de R$ 584,8 bilhões e taxa de inadimplência de apenas 0,06%. A instituição também se destaca como o maior financiador de energia renovável do mundo e líder na América Latina no financiamento de ônibus elétricos.

Nos últimos anos, o banco ampliou sua atuação em projetos ligados à agenda ambiental. Desde 2023, foram mobilizados cerca de R$ 7 bilhões para iniciativas de conservação, recuperação e manejo de florestas brasileiras, o equivalente ao plantio de aproximadamente 280 milhões de árvores.

Com a cooperação entre Previdência Social e BNDES, gestores de fundos de pensão terão acesso à experiência do banco em análise de riscos climáticos e financiamento de projetos sustentáveis. A expectativa é facilitar a identificação de iniciativas consistentes nas áreas de energia limpa e infraestrutura verde, mantendo o foco na rentabilidade de longo prazo dos investimentos previdenciários.

A iniciativa será conduzida pela Secretaria de Regime Próprio e Complementar e pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Segundo o governo, a cooperação terá caráter informativo e orientativo, sem impor regras ou interferir na autonomia das entidades de previdência complementar.

Os fundos de pensão brasileiros administram atualmente mais de R$ 1 trilhão em ativos. A integração desses recursos à agenda de transição ecológica é considerada estratégica para ampliar o financiamento de longo prazo da economia brasileira, respeitando as diretrizes da Resolução CMN nº 5.202/2025, que orienta a inclusão de fatores ambientais, sociais e de governança na análise de riscos dos investimentos.

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