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BNDES libera R$ 280 milhões para fábrica de baterias e reforça transição energética

Financiamento permitirá à WEG construir em Santa Catarina a maior unidade de sistemas de armazenamento de energia do país

Usinas eólicas e torre de transmissão de energia (Foto: REUTERS/David Moir)

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 280 milhões destinado à ampliação da produção nacional de sistemas de armazenamento de energia em baterias, tecnologia considerada estratégica para a modernização e a segurança do setor elétrico brasileiro. Os recursos serão utilizados pela empresa WEG para reformar uma planta industrial existente e construir, em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, a maior fábrica desse tipo de sistema no país. As informações são da Folha de São Paulo.

O financiamento será concedido por meio do programa BNDES Mais Inovação e representa o primeiro projeto contratado a partir de uma chamada pública voltada exclusivamente a iniciativas de transição energética e descarbonização, conduzida em parceria entre o BNDES e a Finep.

Os sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS (Battery Energy Storage System), permitem acumular eletricidade gerada e liberá-la de maneira controlada quando há necessidade. Na prática, funcionam como grandes reservatórios de energia, ajudando a equilibrar oferta e demanda, estabilizar redes elétricas e reduzir o risco de interrupções no fornecimento.

O avanço desse tipo de tecnologia ganhou relevância nos últimos anos diante da expansão das fontes renováveis no país, especialmente a eólica e a solar. Embora fundamentais para a transição energética, essas fontes têm produção variável, o que aumenta a pressão sobre outras formas de geração capazes de responder rapidamente às oscilações do sistema.

Com a nova unidade industrial, a WEG deverá alcançar uma capacidade produtiva de até 2 gigawatts por ano em sistemas de armazenamento. As obras estão previstas para começar em breve, com conclusão estimada para o segundo semestre de 2027. Quando estiver em operação, a fábrica deverá gerar cerca de 90 empregos diretos.

O projeto prevê o uso de linhas de montagem automatizadas e de robôs móveis autônomos para a logística interna. A estrutura incluirá ainda um laboratório de testes e desenvolvimento, além da implantação de uma subestação de energia dedicada à unidade.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o investimento tem impacto direto sobre o futuro do setor elétrico nacional. “A implantação de uma fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias é estratégica para o Brasil. Fortalece a segurança energética, amplia a integração de fontes renováveis e posiciona o país na fronteira da inovação tecnológica”, afirmou.

O movimento ocorre em paralelo à preparação do primeiro leilão específico para a contratação de sistemas de armazenamento em baterias no Brasil. Em novembro do ano passado, o Ministério de Minas e Energia abriu consulta pública para o certame, previsto para ocorrer no início deste ano. Trata-se da segunda tentativa do governo de avançar com esse tipo de contratação, após uma licitação voltada à contratação de potência de usinas termelétricas e hidrelétricas.

De acordo com a proposta em discussão, o leilão deverá oferecer contratos com duração de dez anos, com início de suprimento previsto para 1º de agosto de 2028. As baterias eletroquímicas contratadas deverão disponibilizar potência ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), recebendo em contrapartida uma receita fixa e assumindo o compromisso de entrega da potência máxima por até quatro horas diárias.

A expectativa em torno do leilão é elevada no setor elétrico. Grandes empresas de geração e transmissão, como Axia Energia (ex-Eletrobras) e ISA Energia, além de fabricantes de sistemas de armazenamento, entre eles a própria WEG, já manifestaram interesse em participar do processo, que pode marcar uma nova etapa na integração das baterias à matriz elétrica brasileira.

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