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Fernando Lavieri

Jornalista, com passagens pela IstoÉ e revista Caros Amigos

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Lula virou samba-enredo

Ah... o Carnaval! A maior festa popular do Brasil renasce a cada ano para enfeitar a vida, relembrar o passado e iluminar o futuro

Presidente Lula (Foto: Tita Barros / Reuters)

A maior parte do tempo em que pensamos e conversamos sobre a política, ela nos causa certo amargor, cansaço e até raiva momentânea. Por exemplo, o presidente Lula está entre aqueles políticos que mais coisas boas realizou para a classe trabalhadora e para os negros do Brasil, mas existe a extrema direita, o bolsonarismo. E, portanto, temos de, mesmo tomados pelo asco, nos manter vigilantes e debatendo. Essa vertente da extrema direita também se manifesta no interior do Poder Judiciário e no Congresso. Então, ainda vivemos tempos regressivos. Muito bem. Em geral, as nossas análises e preocupações políticas ocorrem o ano inteiro, sem contar os desafios profissionais e pessoais que são imensos. Ah... mas quando chega fevereiro, tem Carnaval!

E é nesse período do ano em que nos deixamos levar pelas músicas e batucadas, pelas alegorias, pela felicidade alheia... ah, é o samba. O Carnaval é um desbunde! Por todas as cidades do país há gente sorrindo, dançando e amando. No Rio de Janeiro, por exemplo, existe Cláudio Castro, Polícia Militar e Caveirão nas favelas, mas também existem maravilhas naturais e culturais como as praias e as escolas de samba. Entre as agremiações carnavalescas está a Acadêmicos de Niterói. A jovem escola, fundada em 2018, percebeu que falar sobre política no samba-enredo é obrigação. E, dessa forma, ela trouxe à baila o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva.

A recordação política feita pela escola de samba na Passarela Professor Darcy Ribeiro com o altivo título Lula, o operário do Brasil causou forte emoção tanto para quem viu in loco quanto para quem assistiu ao desfile pela tevê. Tal sentimento se deu do início ao fim, mas a comissão de frente deixou os olhos rasos d'água ao apresentar a memória recente do país, a respeito da derrocada do ex-presidente golpista Bolsonaro e o retorno triunfal de Lula em 2022. Bolsonaro, fã da ditadura militar, processado por genocídio na pandemia, está agora eternizado também como palhaço presidiário e o presidente Lula, ao contrário, como gigante político. O desfile da Acadêmicos de Niterói entrou para a história como um dos mais importantes e será lembrado como referência do Carnaval. Após o espetáculo, o presidente Lula deve unir as forças políticas da esquerda e lutar para vencer as eleições presidenciais. O seu legado foi eternizado com samba no pé na Marquês de Sapucaí e está nos braços do povo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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