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Díaz-Canel faz declarações sobre crise energética, desafios internos de Cuba e diálogo com Estados Unidos

De acordo com o presidente, a ilha não recebe combustível há três meses

O presidente cubano Díaz-Canel em pronunciamento na sexta-feira, 13 de março de 2026 (Foto: Granma)

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, abordou uma série de temas relacionados à realidade nacional durante uma coletiva de imprensa na qual analisou desde a crise energética enfrentada pela ilha até questões de segurança, educação e política social. O chefe de Estado também destacou iniciativas para manter o funcionamento de serviços essenciais diante das dificuldades atuais e o diálogo com os Estados Unidos.

Segundo informações publicadas pela agência Prensa Latina, Díaz-Canel afirmou que Cuba enfrenta uma situação particularmente complexa no setor energético devido ao bloqueio imposto pela atual administração dos Estados Unidos, que busca asfixiar economicamente o país e enfraquecer o processo revolucionário. De acordo com o presidente, a ilha não recebe combustível há três meses, o que agrava a instabilidade do sistema elétrico.

Crise energética e impactos no cotidiano

Durante a conversa com jornalistas, o mandatário explicou que Cuba depende majoritariamente de petróleo bruto nacional e de geração fotovoltaica para produzir a eletricidade que consome. Esse cenário, segundo ele, tem provocado um sistema energético instável e aumento de apagões.

As interrupções no fornecimento de energia, destacou, afetam diretamente diversas áreas estratégicas da vida cotidiana. Entre os setores mais impactados estão a produção econômica, as comunicações, os serviços médicos, o sistema educacional, o transporte e outras atividades diárias da população.

Diante desse contexto, Díaz-Canel explicou que instituições públicas e centros de trabalho passaram a adotar medidas de adaptação. No setor educacional, os Ministérios da Educação e do Ensino Superior implementaram alternativas para manter o processo de ensino.

Entre as estratégias adotadas estão o ensino híbrido e a criação de espaços comunitários de aprendizagem. Ao mesmo tempo, locais de trabalho têm ajustado horários de funcionamento para se adequar à atual realidade energética do país.

Solidariedade internacional e apoio do México

O presidente cubano também ressaltou o apoio recebido de países e organizações internacionais diante das dificuldades enfrentadas pela ilha. Segundo ele, diversas nações têm demonstrado solidariedade em meio ao cenário de contingência.

Nesse contexto, Díaz-Canel agradeceu de forma especial ao México e à presidente Claudia Sheinbaum pelo envio de ajuda. O mandatário destacou a contribuição mexicana como um gesto significativo de solidariedade com o povo cubano.

Ele afirmou ainda que os recursos recebidos por meio dessas iniciativas são distribuídos seguindo critérios éticos rigorosos da Revolução, sendo direcionados prioritariamente para escolas, comunidades e serviços sociais.

De acordo com o presidente, a administração dessas contribuições ocorre sem fins lucrativos e sob um sistema robusto de auditorias e monitoramento. O processo envolve representantes de diversas organizações e embaixadas que acompanham a aplicação dos recursos no terreno, com o objetivo de garantir transparência e evitar questionamentos sobre a gestão da ajuda.

Investigação sobre tentativa de infiltração armada

Durante sua exposição, Díaz-Canel também comentou um episódio de segurança relacionado a uma tentativa de infiltração armada na província de Villa Clara. Segundo ele, o objetivo da ação seria atacar unidades militares e centros sociais para provocar medo e instabilidade.

O presidente relatou que todos os envolvidos reconheceram participação nos acontecimentos e admitiram ter disparado contra uma embarcação da Guarda Costeira cubana. Ele acrescentou que dois dos participantes integram a lista nacional de pessoas e entidades designadas como terroristas.

Ainda sobre o caso, Díaz-Canel anunciou que as autoridades cubanas aguardam uma “possível visita” de especialistas do FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) para colaborar na apuração dos fatos em conjunto com o Ministério do Interior de Cuba.

Medidas humanitárias e relação com cubanos no exterior

Outro ponto abordado pelo presidente foi a decisão do governo cubano de libertar 51 pessoas condenadas à prisão. Segundo ele, a medida responde à vocação humanista da Revolução e segue os marcos legais do país.

Díaz-Canel explicou que a decisão contempla pessoas que mantiveram boa conduta durante o cumprimento de suas penas, conforme previsto nas normas jurídicas cubanas.

O chefe de Estado também comentou a situação dos cubanos residentes no exterior. De acordo com ele, o número de cidadãos vivendo fora do país continua aumentando, o que exige novas formas de relação entre o Estado e sua diáspora.

Nesse sentido, afirmou que é responsabilidade do governo “acolhê-los, ouvi-los, atendê-los e proporcionar-lhes um espaço de participação”, reconhecendo a importância da comunidade cubana no exterior para o futuro do país.

Diálogo com os Estados Unidos 

O presidente de Cuba confirmou nesta sexta-feira (13) que representantes do governo cubano mantiveram conversas recentes com autoridades dos Estados Unidos, em um momento de forte tensão diplomática entre os dois países e de agravamento da crise energética na ilha. O diálogo ocorre enquanto Cuba enfrenta dificuldades no abastecimento de petróleo após medidas de Washington que restringiram o fornecimento do combustível ao país caribenho.

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