Multipolaridade e juventude no centro do debate: relatório projeta o futuro do BRICS
Estudo do “Knowledge hub” reúne 25 especialistas, analisa a expansão do bloco e aponta caminhos para fortalecer o engajamento das novas gerações
247 – Um novo relatório internacional sobre o BRICS coloca a multipolaridade e o protagonismo da juventude no centro das discussões sobre o futuro do bloco, ao examinar como a expansão recente e a entrada de novos parceiros podem redefinir prioridades estratégicas, instrumentos de cooperação e a imagem pública da associação nos próximos anos.
De acordo com informações publicadas pelo portal Knowledge Hub, o relatório O futuro do BRICS foi preparado pelo “Knowledge hub” Center da Universidade Estatal Russa de Humanidades (RSUH), com apoio do Centro para o Desenvolvimento de Tecnologias Humanitárias “New Era”, no âmbito de uma atribuição estatal do Ministério da Educação e Ciência da Rússia. O estudo foi elaborado a partir de uma consulta a especialistas de diversos países.
O documento aborda a transformação do BRICS, os impactos de sua expansão, os desafios internos e externos enfrentados pelo agrupamento e as principais tendências de cooperação entre os países participantes. Um dos eixos centrais é o papel da juventude na construção de uma nova agenda multipolar, além de previsões e iniciativas destinadas a ampliar o engajamento das novas gerações nos projetos do bloco.
O significado estratégico do BRICS em debate
A primeira parte do relatório se dedica ao significado estratégico e à evolução do BRICS. Entre as questões levantadas estão a definição do propósito do agrupamento e a discussão sobre sua natureza política no sistema internacional.
O estudo propõe uma reflexão sobre a interpretação do BRICS como uma eventual união de países em oposição ao Ocidente e questiona se tal caracterização é precisa ou se poderia se concretizar no futuro próximo. Ao colocar esse tema em debate, o relatório sinaliza que a identidade geopolítica do bloco permanece objeto de análise e disputa interpretativa.
Outro ponto examinado é o impacto da expansão e da inclusão de novos parceiros e membros. O documento busca avaliar de que maneira essa ampliação altera a dinâmica interna do BRICS e quais efeitos produz sobre sua capacidade de coordenação e formulação de políticas conjuntas.
Também é analisado o papel da presidência rotativa entre os países-membros e o grau de influência que esse mecanismo exerce sobre o desenvolvimento institucional do agrupamento.
Desafios internos e externos em um cenário multipolar
O relatório aponta a necessidade de identificar os principais desafios enfrentados pelo BRICS no cenário atual, tanto no plano interno quanto no externo. Entre os temas analisados estão as dificuldades de implementação de formatos de cooperação, a eficácia dos instrumentos já existentes e os obstáculos que limitam sua aplicação prática.
A publicação indica que são examinados diferentes modelos e ferramentas de cooperação, com o objetivo de identificar quais se mostram mais promissores e quais apresentam menor demanda ou menor efetividade. A análise inclui ainda os entraves estruturais que dificultam sua consolidação.
Ao projetar o futuro do bloco para um horizonte de cinco a dez anos, o estudo busca mapear tendências de desenvolvimento e possíveis cenários para o BRICS em um contexto internacional marcado por transformações geopolíticas e pela consolidação de uma ordem multipolar.
Juventude e imagem do BRICS nos países-membros
A segunda parte do relatório apresenta os resultados de um amplo estudo sociológico sobre a imagem da Rússia e do BRICS entre jovens dos países participantes. Segundo o Knowledge Hub, a pesquisa buscou identificar percepções, tendências e conclusões a partir das respostas coletadas.
O documento analisa os principais pontos que chamaram atenção nos resultados e discute o significado dessas percepções para o futuro do bloco. Também são avaliados aspectos metodológicos do estudo, incluindo o uso de imagens, citações e palavras-chave como estratégia para reduzir respostas socialmente desejáveis.
A investigação procura compreender as razões que explicam a imagem positiva do BRICS entre jovens e a receptividade às suas ideias nos países envolvidos. A partir dessas respostas, o relatório identifica tendências e oportunidades para aprofundar o vínculo entre a associação e as novas gerações.
Recomendações para fortalecer o BRICS
Na terceira seção, o relatório apresenta recomendações voltadas ao fortalecimento do BRICS. Entre as questões abordadas estão as principais barreiras para uma compreensão mais profunda e um maior envolvimento da juventude nos projetos do bloco.
O estudo também propõe a reflexão sobre iniciativas capazes de acelerar significativamente o desenvolvimento do BRICS nos próximos dois a três anos, bem como sobre as mensagens estratégicas que o agrupamento deveria levar ao cenário global para ampliar sua atratividade junto às futuras gerações.
Ao enfatizar a importância da comunicação estratégica e do engajamento juvenil, o relatório sugere que a consolidação do BRICS como polo relevante na ordem internacional depende não apenas de decisões governamentais, mas também da capacidade de mobilizar apoio social e acadêmico.
Participação internacional e metodologia
O relatório contou com contribuições de 25 especialistas de países do BRICS e de nações parceiras, incluindo políticos, figuras públicas e representantes das comunidades científica e acadêmica do Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Vietnã, Irã, Colômbia, Paquistão e Etiópia.
O estudo foi conduzido no formato de consulta a especialistas, reunindo avaliações qualitativas, projeções e recomendações estratégicas.
O texto completo do relatório O futuro do BRICS está disponível no portal Knowledge Hub, que apresenta a publicação como uma contribuição ao debate internacional sobre a multipolaridade, a expansão institucional e o papel da juventude na construção do futuro do BRICS.




