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Passageiros de navio com surto de hantavírus iniciam desembarque em Tenerife

OMS confirmou seis casos e três mortes ligadas ao surto no cruzeiro MV Hondius

Passageiros de navio com surto de hantavírus iniciam desembarque em Tenerife (Foto: REUTERS)
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247 - As autoridades sanitárias da Espanha iniciaram neste domingo (10) a operação de desembarque dos passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius, após a confirmação de um surto de hantavírus a bordo. As informações foram divulgadas pela Rádio França Internacional (RFI), com base em dados da agência AFP.

A embarcação chegou durante a madrugada às proximidades do porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias. Equipes de saúde entraram no navio para examinar cerca de 150 passageiros e tripulantes antes do início da retirada controlada.

Operação de desembarque sob isolamento

Os primeiros a deixar o cruzeiro foram passageiros espanhóis, transportados em pequenas embarcações até a costa. Depois, seguiram de ônibus até o aeroporto local, onde embarcaram em um voo organizado pelo governo espanhol com destino a Madri.

Na sequência, começaram as operações de repatriação de passageiros para países como Holanda, Canadá, Turquia, França, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos. Um último voo está previsto para segunda-feira (11), levando passageiros de volta à Austrália.

Segundo as autoridades espanholas, todos os ocupantes do navio estão assintomáticos. Para evitar qualquer risco de transmissão à população local, foi criada uma zona marítima de exclusão temporária ao redor da embarcação. O deslocamento dos passageiros em terra também ocorreu de forma isolada.

OMS confirma mortes e casos de hantavírus

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), seis casos de hantavírus foram confirmados entre oito suspeitas registradas no navio. Três pessoas morreram em decorrência da doença, considerada rara e potencialmente grave.

Ainda durante a semana, três pessoas já haviam sido retiradas do navio em Cabo Verde e transferidas para a Europa em uma aeronave medicalizada. 

A doença não possui vacina nem tratamento específico e pode provocar síndrome respiratória aguda, além de outras complicações severas.

Variante Andes preocupa autoridades sanitárias

O MV Hondius havia partido de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Segundo a OMS, todos os passageiros são considerados “contatos de alto risco” e deverão permanecer sob monitoramento por 42 dias.

Apesar da preocupação internacional, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o cenário não pode ser comparado à pandemia de Covid-19.

Ao chegar às Ilhas Canárias no sábado (9), Ghebreyesus declarou “ouvir” e “compreender” a “preocupação legítima” da população local. Ele também reforçou, em carta enviada aos moradores, que o risco de transmissão da doença “é baixo”.

O hantavírus é normalmente transmitido aos seres humanos por meio do contato com roedores infectados, especialmente pela exposição à urina, fezes ou saliva desses animais. No entanto, a variante identificada no navio — conhecida como Andes — é considerada rara porque pode ser transmitida entre pessoas.

Monitoramento internacional e rastreamento

A cepa possui período de incubação de até seis semanas, o que levou autoridades sanitárias de diversos países a intensificarem o rastreamento de contatos próximos dos passageiros. O objetivo é identificar possíveis cadeias de transmissão, isolar casos suspeitos e conter a disseminação do vírus.

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