Lula anuncia investimento de R$ 1,4 bilhão no Instituto Butantan
Recursos do Novo PAC Saúde vão ampliar fábricas, reforçar a vacinação e fortalecer a produção nacional de vacinas e soros
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita nesta segunda-feira (9) o Instituto Butantan, em São Paulo, para anunciar um conjunto de investimentos estratégicos voltados ao fortalecimento da produção nacional de vacinas, soros e insumos imunobiológicos. A iniciativa prevê a ampliação da infraestrutura, a modernização de unidades industriais e o aumento da capacidade produtiva do instituto, com foco na autonomia do Sistema Único de Saúde (SUS) e no atendimento às principais demandas da população brasileira.
Lula, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), assinam ordens de serviço para a construção de duas novas fábricas e para a modernização de outras duas unidades já existentes no Instituto Butantan. O investimento total do governo é de R$ 1,4 bilhão, com recursos do Novo PAC Saúde, e tem como objetivo consolidar o país como referência em inovação biotecnológica e produção de imunizantes.
As obras permitirão ao Brasil avançar na fabricação de vacinas de alta complexidade, incluindo aquelas baseadas na tecnologia de RNA mensageiro (RNAm). Esse tipo de imunizante atua fornecendo instruções ao sistema imunológico para combater agentes infecciosos de forma eficaz e segura, além de possibilitar respostas mais rápidas a emergências sanitárias e eventuais pandemias.
No campo da imunização, o governo federal também anuncia o início da vacinação contra a dengue em todos os estados para profissionais de saúde da Atenção Primária. A estratégia foi viabilizada pelo desenvolvimento de uma vacina totalmente nacional pelo Instituto Butantan. A expectativa é proteger cerca de 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do SUS, sendo mais de 216 mil apenas no estado de São Paulo. As primeiras 650 mil doses já foram enviadas aos estados, com novas remessas previstas para as próximas semanas.
A ampliação da vacinação para outros públicos, na faixa etária de 15 a 59 anos, deverá ocorrer no segundo semestre, à medida que a capacidade de produção do instituto seja expandida. O Ministério da Saúde adquiriu todo o quantitativo atualmente disponível e aposta em uma parceria estratégica entre Brasil e China, com transferência de tecnologia para a WuXi Vaccines, que poderá multiplicar a produção em até 30 vezes. Até agora, foram adquiridas 3,9 milhões de doses da vacina contra a dengue, com investimento federal de R$ 368 milhões.
Parte dos recursos anunciados será destinada à implantação de uma nova plataforma de produção de vacinas de RNAm, com aporte de R$ 76,1 milhões. A tecnologia é considerada um marco para a biotecnologia nacional, por permitir processos mais ágeis, menor custo operacional e maior flexibilidade na adaptação de imunizantes diante de novas ameaças à saúde pública.
Com a construção e reforma das novas plantas industriais, o Brasil passará a produzir o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) de vacinas estratégicas, como a DTPa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, e a vacina contra o HPV. A unidade dedicada à DTPa receberá investimento de R$ 550,7 milhões e terá capacidade para fornecer até 6 milhões de doses por ano, reduzindo a dependência de importações e ampliando a segurança sanitária nacional.
A fábrica da vacina contra o HPV contará com investimentos superiores a R$ 495,9 milhões e poderá produzir cerca de 20 milhões de doses anuais. A produção nacional em larga escala deverá garantir maior estabilidade no abastecimento e ampliar a proteção da população. Já a unidade de produção de soros e a área multipropósito receberão mais de R$ 232,5 milhões, com previsão inicial de produção de 1,2 milhão de frascos de soro concentrado por ano, podendo chegar a 5,5 milhões de frascos de soro líquido após a conclusão das obras.
O fortalecimento do Instituto Butantan está inserido em uma política mais ampla do governo para o desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). A atuação de laboratórios públicos tem sido central na inovação em saúde e na internalização de tecnologias por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, que permitem ao país dominar todo o ciclo de uma tecnologia, da pesquisa à aprovação regulatória.
Atualmente, o Instituto Butantan mantém 14 projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo e do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local, além de 10 projetos vinculados ao Novo PAC, sendo oito com investimentos diretos do Ministério da Saúde. No conjunto do CEIS, o investimento federal já alcança cerca de R$ 15 bilhões, com 31 novas parcerias firmadas desde 2023 para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e insumos estratégicos.
Além dos recursos destinados ao Butantan, o Novo PAC prevê R$ 31,5 bilhões em investimentos na infraestrutura do SUS, incluindo a construção de unidades básicas de saúde, centros de atenção psicossocial, policlínicas, ambulâncias do Samu, unidades odontológicas móveis e outros equipamentos. O Instituto Butantan, maior produtor de vacinas e soros da América Latina, segue como referência internacional em qualidade e eficiência, desempenhando papel central na produção de imunobiológicos essenciais para a saúde pública brasileira.


