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Ajudar o Butantan é ajudar 215 milhões de brasileiros, diz Lula ao anunciar R$ 1,4 bilhão em investimentos

Visita ao centro da vacina contra a dengue marca ordens de serviço do Novo PAC Saúde

09.02.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD) do Instituto Butantan. São Paulo (SP) - Brasil Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue do Instituto Butantan e participou da cerimônia que anunciou R$ 1,4 bilhão em investimentos do Governo do Brasil para ampliar a infraestrutura de produção de insumos e imunobiológicos do instituto.

A informação foi divulgada pela Agência Gov, que registrou a defesa feita por Lula de que o fortalecimento do Butantan tem impacto direto na vida da população. 

Lula: "Ajudar o Butantan é ter apenas a primazia de dizer que a gente está ajudando 215 milhões de almas que vivem neste país e que precisam".

Investimento bilionário e quatro obras estratégicas no Novo PAC Saúde

Durante o ato, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, assinaram quatro ordens de serviço voltadas ao Instituto Butantan no programa Agora Tem Especialistas do Novo PAC Saúde.

Os projetos somam R$ 1,4 bilhão e incluem a reforma de estruturas já existentes e a construção de novas plantas industriais. Entre as iniciativas, estão a reforma da unidade de produção de soros e de uma área multipropósito, no valor de R$ 232,5 milhões, além de um aporte de R$ 76,2 milhões destinado à reforma de unidade e ao desenvolvimento de plataforma com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA).

O pacote ainda prevê duas novas fábricas com impacto direto na autonomia produtiva do país. Uma delas, orçada em R$ 550,1 milhões, será destinada ao insumo para vacinas contra difteria, tétano e coqueluche. A outra, com investimento de R$ 596 milhões, será voltada à produção de insumo farmacêutico ativo para a vacina contra HPV.

Lula cobra mobilização contra o negacionismo e reforça que vacinas salvam vidas

Ao discursar, Lula argumentou que, após ataques do governo anterior que minaram a confiança na vacinação, o Governo do Brasil precisa intensificar o esforço público de esclarecimento, com participação de diferentes atores sociais.

Lula: "Nós temos que ter a obrigação de não desanimar, de fazer campanha, de falar na escola, os professores falarem, os pastores falarem, os padres falarem, os políticos falarem, até que a gente convença as pessoas de que tomar vacina significa evitar a possibilidade de que em algum momento a natureza possa atrapalhar a vida de uma pessoa".

O presidente também vinculou o investimento em ciência à capacidade de proteção coletiva. Lula: "Enquanto eu tiver possibilidade de ajudar, não faltará dinheiro para pesquisa, nem no Butantan nem em outro instituto de pesquisa deste país".

Vacina contra a dengue 100% nacional e dose única começa por profissionais do SUS

O evento também marcou uma ação simbólica ligada ao avanço da vacina contra a dengue produzida pelo Butantan. O ministro Alexandre Padilha e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, aplicaram doses do imunizante em uma profissional de saúde da Atenção Primária e no diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.

Segundo as informações apresentadas na cerimônia, a vacina contra a dengue do instituto é 100% nacional, é a única em dose única no mundo e foi aprovada para o público de 12 a 59 anos. A vacinação de profissionais de saúde da Atenção Primária começa pelo estado de São Paulo e será ampliada para todo o país pelo Ministério da Saúde, com previsão de proteger 1,2 milhão de trabalhadores na linha de frente do SUS. No estado, são mais de 216 mil profissionais.

Até o momento, foram adquiridas 3,9 milhões de doses, com investimento federal de R$ 368 milhões. As entregas ocorrerão conforme a produção, e as primeiras 650 mil doses já foram enviadas aos estados. O restante, conforme informado, está previsto para as próximas semanas.

A expansão para outros públicos, na faixa de 15 a 59 anos, começando pelos mais velhos, está prevista para o segundo semestre, condicionada ao aumento da capacidade produtiva do Butantan.

Parceria com a China e multilateralismo no centro da estratégia sanitária

No discurso, Lula voltou a defender o multilateralismo e afirmou que a cooperação internacional pode acelerar a capacidade de produção de vacinas, com destaque para a China. O presidente afirmou que o mundo não pode prescindir do multilateralismo e lembrou o papel desse arranjo no pós-Segunda Guerra.

Lula: "Nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo. Foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os Estados".

Ao justificar a busca de parcerias, Lula sustentou que o Brasil deve escolher o que é melhor para o país e questionou por que não ampliar um acordo produtivo quando a cooperação permite atender a quem precisa. 

Lula: "Nós estamos escolhendo aquilo que é melhor para o nosso país. E se a China aceita fazer uma parceria conosco na produção de vacina, e vai produzir a quantidade que ainda a gente não tem condição de produzir, por que não fazer um convênio com a China e produzir vacina para a gente atender a quem precisa tomar vacina?".

A cerimônia também mencionou a expectativa de aumento de produção a partir de parceria estratégica entre Brasil e China, com transferência de tecnologia para a WuXi Vaccines, elevando a produção em 30 vezes.

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