HOME > Sul

Homem arremessa mala com dinheiro pela janela em operação da PF sobre Rioprevidência (vídeo)

Polícia Federal apreende quantia em espécie durante nova fase da Operação Barco de Papel que apura investimentos de quase R$ 1 bilhão no Banco Master

Dinheiro espalhado pelo chão (Foto: Polícia Federal)

247 - Um dos investigados na Operação Barco de Papel arremessou uma mala cheia de dinheiro pela janela de um apartamento no momento em que agentes da Polícia Federal chegavam para cumprir mandado de busca e apreensão, na manhã desta quarta-feira (11), em Balneário Camboriú (SC). A quantia em espécie foi imediatamente recuperada pelos policiais. A ação integra a terceira fase da investigação que apura suspeitas de irregularidades na gestão de recursos da Rioprevidência, informa o Metrópoles.

A tentativa de descartar o dinheiro ocorreu em um dos endereços alvo da operação, que também cumpriu mandados em Itapema (SC). As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, diante de indícios de ocultação de provas e possível interferência nas investigações.

Além da mala com dinheiro, os agentes apreenderam dois veículos de luxo e dois celulares, que serão submetidos à perícia. O foco desta etapa é localizar e recuperar bens, valores e objetos que teriam sido retirados de um apartamento vinculado ao ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, já investigado desde a primeira fase da operação, deflagrada em 23 de janeiro.

A Operação Barco de Papel investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro relacionados à aplicação de recursos do fundo previdenciário fluminense em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que posteriormente foi liquidada pelo Banco Central. Entre novembro de 2023 e julho de 2024, a Rioprevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões nesses títulos.

Deivis Marcon Antunes foi preso no dia 3 de fevereiro, durante a segunda fase da operação. Segundo a Polícia Federal, as suspeitas não se limitam às decisões de investimento, mas envolvem indícios de que ele teria tentado reorganizar patrimônio, remover documentos, apagar registros digitais e dificultar o acesso a provas após saber que era alvo de investigação.

A prisão ocorreu na Via Dutra, no Sul Fluminense, quando Antunes se deslocava para o Rio de Janeiro em um carro alugado, pouco depois de desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, vindo dos Estados Unidos. Para os investigadores, o trajeto terrestre foi considerado atípico e passou a integrar a linha de apuração.

Após a primeira fase da operação, a Polícia Federal identificou movimentações como retirada de documentos físicos de imóveis ligados ao ex-dirigente, alterações em dados armazenados em celulares e computadores, transferência de veículos de alto valor para terceiros e apagamento de imagens de câmeras de segurança em prédios relacionados ao investigado. Esses elementos embasaram os pedidos de prisão e as novas buscas.

Outros dois homens também foram presos em um escritório de advocacia em Santa Catarina, sob suspeita de auxiliar na retirada e ocultação de materiais investigados.

O inquérito aponta que as decisões que autorizaram os aportes do fundo previdenciário em títulos de alto risco, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com prazos longos de vencimento, são consideradas incompatíveis com a natureza de um regime próprio de previdência. Para a Polícia Federal, há indícios de que as aplicações foram aprovadas sem respaldo técnico consistente e podem ter beneficiado interesses privados.

Artigos Relacionados