PT procura Kalil como alternativa de palanque para Lula em Minas
Cúpula petista quer medir força de Alexandre Kalil para montar palanque após incerteza com Rodrigo Pacheco
247 - A cúpula do PT passou a considerar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) como uma alternativa para a construção de um palanque ao presidente Lula em Minas Gerais, em meio a incertezas sobre o futuro político do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). As informações são da Folha de São Paulo.
O movimento tem o aval de Lula e ocorre após a derrota do governo no Senado na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A articulação em torno de Minas Gerais ganhou força diante da suspeita, em setores próximos ao presidente, de que Pacheco teria participado do acordo que levou à rejeição de Messias. Ao mesmo tempo, o senador tem dado sinais de que pode não disputar o governo estadual, o que abriu espaço para que o PT avalie outras possibilidades.
A montagem de um palanque competitivo para Lula em Minas foi um dos temas tratados no jantar promovido pelo PT em Brasília, nesta segunda-feira (4), para arrecadação de recursos. O presidente não compareceu ao evento.
Interlocução com Pacheco
Antes de avançar em conversas com Kalil, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, deve procurar Pacheco nesta terça-feira (5). A intenção é ouvir o senador e medir sua real disposição para concorrer ao governo mineiro.
A interlocutores, Edinho afirmou que pretende tomar a iniciativa por considerar importante escutar Pacheco diretamente e por avaliar que o senador ainda tem potencial eleitoral em Minas Gerais.
Apesar disso, parte do entorno de Lula interpreta que Pacheco teria ajudado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a reunir os votos necessários para barrar Messias na votação da semana passada. Essa avaliação abalou a confiança de setores petistas no senador e ampliou a percepção de que sua candidatura pode não se concretizar.
Lula mantém Pacheco como opção
Quando as suspeitas sobre a postura de Pacheco chegaram a Lula, em reunião no Palácio da Alvorada após a derrota de Messias, o presidente afirmou que o senador continuava sendo o candidato do grupo e que a votação no Senado não deveria ser misturada à campanha eleitoral em Minas.
Mesmo com essa posição de Lula, há dúvidas sobre como a base petista reagiria a uma eventual candidatura de Pacheco depois do desgaste provocado pela rejeição de Messias. O episódio tornou mais complexa a negociação para a formação de uma aliança no estado.
Aliados de Pacheco contestam suspeitas
Pessoas próximas a Pacheco consideram injusta a suspeita de que ele tenha atuado contra o governo. Segundo esses aliados, o senador teria ajudado Messias no processo de articulação política.
De acordo com esses relatos, foi Pacheco quem levou o advogado-geral da União a um evento na casa do ministro Cristiano Zanin, ocasião em que Messias pôde conversar informalmente com Alcolumbre.
Nos bastidores, Pacheco afirma que mantém a disposição de concorrer ao governo de Minas, desde que sua candidatura mostre viabilidade política e eleitoral. Ainda assim, seu entorno avalia que pressões ou tentativas de constrangimento por parte do PT podem levá-lo a abandonar a disputa.
Kalil surge como alternativa
Nesse cenário, Alexandre Kalil passou a ser visto como uma possível saída para evitar que Lula fique sem um palanque forte em Minas Gerais, estado considerado estratégico para a disputa nacional.
Ex-prefeito de Belo Horizonte e filiado ao PDT, Kalil já disputou o governo mineiro e mantém presença relevante no debate político estadual. A eventual aproximação com o PT dependerá, contudo, da evolução das conversas com Pacheco e da capacidade do partido de reorganizar sua estratégia após o revés no Senado.


