Moraes mantém prisão de Thiago Rangel e impede votação da Alerj sobre soltura do deputado
Ministro do STF decidiu que Assembleia Legislativa do Rio não pode interferir na prisão preventiva do parlamentar
247 - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (6) a manutenção da prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) e afastou a possibilidade de a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) deliberar sobre a soltura do parlamentar.
Na decisão, Moraes afirmou que a continuidade da prisão não depende de autorização ou análise dos deputados estaduais da Alerj. O entendimento do ministro ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga supostas fraudes na compra de materiais e na contratação de serviços pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.
Thiago Rangel foi preso na terça-feira (5), durante a nova fase da operação conduzida pela Polícia Federal. Ao todo, os agentes cumpriram sete mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em outras três cidades do interior do estado. Todas as ordens judiciais foram autorizadas pelo STF.
A decisão de Moraes também ocorre após um episódio semelhante envolvendo a Alerj no fim do ano passado. Em dezembro, a Assembleia derrubou a prisão do então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (PL), detido na quarta fase da mesma operação. Na ocasião, Bacellar era investigado por suspeita de vazamento de informações relacionadas à investigação que tinha como alvo o deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias.
Segundo as investigações da Polícia Federal, Thiago Rangel teria oferecido cargos na área da educação a pessoas indicadas por “Junior do Beco”, apontado pelos investigadores como traficante com histórico de homicídios.
O mandado de prisão assinado por Alexandre de Moraes também menciona trocas de mensagens entre o parlamentar e Fábio Pourbaix de Azevedo, identificado pela investigação como braço direito de Thiago Rangel.
A Operação Unha e Carne apura a atuação de um suposto esquema de irregularidades envolvendo contratos públicos ligados à educação estadual do Rio de Janeiro. Até o momento, a defesa do deputado não havia se manifestado publicamente sobre a decisão do STF.


