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'Flávio Bolsonaro está sentindo o escândalo do Master e terá muito o que explicar ao povo brasileiro', diz Lindbergh

PF apontou instrumentalização do mandato de Ciro Nogueira em favor do Master. O parlamentar era cogitado para a vice do filho de Jair Bolsonaro. Vídeo

Lindbergh Farias e Flávio Bolsonaro (Foto: Agência Câmara I Agência Senado)

247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstra preocupação com o avanço das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master. Segundo o parlamentar petista, a repercussão política do caso aumentou após a Polícia Federal identificar indícios de repasses mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado do bolsonarismo e nome cogitado para compor uma chapa presidencial ao lado de Flávio Bolsonaro.

De acordo com declarações feitas por Lindbergh, as movimentações recentes do bolsonarismo e de setores do Centrão no Congresso Nacional ampliaram as críticas sobre a condução do caso envolvendo o Banco Master. O deputado associou o silêncio de integrantes da oposição à tentativa de esvaziar o debate sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo financeiro.

Ao comentar o cenário político, Lindbergh afirmou que Flávio Bolsonaro tenta se afastar da repercussão negativa provocada pelo caso. “Flávio Bolsonaro tá sentindo”. O deputado também criticou acordos políticos articulados no Congresso. “Pegou muito mal o acordão que ele fez pra salvar seu pai da cadeia e enterrar a CPI do Master. Daqui até a eleição, ele vai ter muito que explicar ao povo brasileiro”, declarou.

Em outra manifestação publicada nas redes sociais, o parlamentar voltou a atacar a postura de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Bolsomaster: o silêncio também fala. Depois de 4 meses gritando ‘instala a CPI’, Flávio Bolsonaro e o Centrão fizeram um acordão e sumiram do debate sobre o Banco Master. Nem uma palavra. Nem um pio. Enquanto isso, a PF segue investigando fundo. E vai chegar em todo mundo. A verdade é simples: quem tem medo da CPI tenta enterrá-la no silêncio. CPI do Master já”.

A investigação conduzida pela Polícia Federal aponta ainda que Ciro Nogueira teria recebido benefícios adicionais ligados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os investigadores mencionaram viagens internacionais, hospedagens, uso de aeronaves privadas e acesso a imóveis de alto padrão.

Os elementos fazem parte da representação encaminhada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar a quinta fase da Operação Compliance Zero. A corporação apura se houve utilização do mandato parlamentar para favorecer interesses ligados à instituição financeira.

Entre os pontos analisados pela investigação aparece a emenda nº 11 apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024 à PEC nº 65/2023. A proposta defendia ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), elevando o limite de proteção de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

A nova etapa da operação aumentou a pressão política sobre integrantes do Centrão e aliados do bolsonarismo em Brasília. O avanço das apurações também intensificou o debate no Congresso sobre a criação de mecanismos de investigação parlamentar relacionados ao Banco Master e às conexões políticas reveladas pela Polícia Federal.


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