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Sessão infame que selou o golpe de estado contra Dilma completa dez anos

Comandada por Eduardo Cunha, sessão marcou o ponto mais baixo da história do parlamento; hoje Dilma comanda o Banco dos BRICS em Xangai

Presidenta Dilma Rousseff durante declaração a imprensa após comunicado do Senado Federal sobre o Processo de impeachment. 31 de agosto de 2016 (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

247 – A sessão mais infame da história do parlamento brasileiro completa dez anos no dia de hoje, relembrando o momento em que a Câmara dos Deputados autorizou a abertura do processo que resultaria no golpe de Estado contra a então presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

Ao longo de horas de votação televisionada, deputados dedicaram seus votos a familiares, religiões, corporações e até a figuras envolvidas em controvérsias históricas, enquanto o falso fundamento jurídico do impeachment — as chamadas “pedaladas fiscais” — era pouco debatido. A condução do processo por Eduardo Cunha, posteriormente preso e condenado por corrupção, reforçou a percepção de ilegitimidade do processo entre juristas, acadêmicos e setores da sociedade civil.

A sessão acabou sendo interpretada como o ponto culminante do que diversos analistas políticos, movimentos sociais e lideranças internacionais classificaram como um golpe de Estado contra Dilma, já que não houve comprovação de crime de responsabilidade que justificasse a destituição da presidenta eleita.

Retrocessos sociais e econômicos

A queda de Dilma marcou uma inflexão profunda no rumo das políticas públicas brasileiras. Nos anos seguintes, sob os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, foram implementadas reformas que implicaram a retirada de direitos trabalhistas e sociais conquistados nas décadas anteriores.

Entre as medidas mais emblemáticas estão a reforma trabalhista, que flexibilizou contratos e reduziu garantias históricas dos trabalhadores, e a emenda do teto de gastos, que limitou investimentos públicos por duas décadas, impactando áreas essenciais como saúde e educação. Já no governo Bolsonaro, houve aprofundamento de políticas de desregulamentação, privatizações e enfraquecimento de políticas públicas, ampliando desigualdades e precarizando ainda mais as condições de vida da população.

Um marco de retrocesso econômico

Além dos impactos sociais, o período pós-impeachment também ficou marcado por um amplo retrocesso econômico. A desaceleração do crescimento, o aumento do desemprego e a perda de capacidade de investimento do Estado foram elementos que comprometeram o desenvolvimento nacional.

Projetos estratégicos foram interrompidos ou desacelerados, e o país passou a adotar uma agenda mais alinhada ao receituário neoliberal, com menor protagonismo do Estado e maior dependência de fluxos financeiros externos, o que fragilizou a soberania econômica brasileira.

A volta por cima de Dilma e o papel no mundo multipolar

Uma década depois, Dilma Rousseff reconstruiu sua trajetória política e ocupa hoje um dos postos mais relevantes da governança global. À frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos BRICS, com sede em Xangai, ela se tornou uma das vozes mais importantes na construção de uma nova ordem internacional baseada no multilateralismo e na cooperação entre países do Sul Global.

Sua atuação tem sido marcada pela defesa de modelos de financiamento que priorizem o desenvolvimento sustentável, a redução das desigualdades e o fortalecimento da soberania dos países emergentes.

A trajetória de Dilma, que passou da destituição em um processo controverso à liderança de uma das principais instituições financeiras do mundo em desenvolvimento, simboliza não apenas uma volta por cima pessoal, mas também a persistência de um projeto político voltado à construção de um mundo multipolar, mais equilibrado e menos subordinado aos centros tradicionais de poder.

Reveja sua entrevista concedida como presidenta do NDB:

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