'Se Trump tentar interferir na eleição, ele me ajuda', diz Lula
Para o presidente, um movimento do presidente dos EUA nesta direção teria potencial para reforçar seu discurso em defesa da soberania nacional
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não teme uma eventual interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e ironizou a hipótese, ao sugerir que uma ação desse tipo poderia beneficiá-lo politicamente. Segundo ele, um movimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria potencial para reforçar seu discurso em defesa da soberania nacional no contexto eleitoral.
As declarações foram feitas em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM. Questionado sobre a possibilidade de influência externa no pleito em que buscará a reeleição, Lula afirmou que “receio eu não tenho. Eu acho que ele [Trump] me ajudaria muito se ele fizesse isso”.
Referência à Hungria e impacto político
Ao comentar o cenário internacional, Lula citou a derrota do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, aliado de Trump, que esteve no poder por 16 anos. O presidente brasileiro destacou que o vice-presidente estadunidense, J.D. Vance, chegou a participar da campanha no país europeu, sem impedir o resultado eleitoral adverso.
No caso brasileiro, Lula lembrou que sua popularidade cresceu após Trump anunciar tarifas sobre produtos do Brasil e criticar investigações envolvendo Jair Bolsonaro (PL). Para Lula, o episódio permitiu reforçar um discurso de defesa da soberania, colocando seus adversários na defensiva.
Críticas à interferência externa
Na entrevista, Lula criticou o que considera interferência indevida dos Estados Unidos em processos eleitorais de outros países."O vice dele (JD Vance) foi à Hungria fazer campanha ao (Viktor) Orbán (primeiro-ministro da Hungria, derrotado no último fim de semana nas eleições). Tenho visto mensagens do Trump dando palpite nas eleições de Honduras, Costa Rica. Acho absurdo, é uma intromissão sem precedente na soberania de um país.
O presidente também criticou aliados de Bolsonaro que, segundo ele, buscaram apoio internacional para interferir na soberania nacional e nas instituições. ““Acho isso um erro de comportamento tanto deles pedindo quanto do Trump”. Aqui, ele ainda não fez, mas meus adversários têm um filho lá que foi pedir para o Trump intervir no Brasil, acho isso um erro de comportamento tanto deles pedindo quanto do Trump", afirmou
Apoio ao papa
Outro ponto abordado por Lula foi a publicação de uma imagem nas redes sociais em que Trump aparece representado como Jesus Cristo. O presidente brasileiro considerou a postagem inadequada e concordou com críticas feitas pelo papa Leão XIV.
“Aquela imagem de Jesus Cristo… aquilo é uma… sinceramente, aquilo não contribui com quem acredita no sistema multilateral, quem acredita na democracia”, declarou Lula. A imagem, criada com uso de inteligência artificial, foi posteriormente apagada pelo presidente dos Estados Unidos. Lula também comentou as críticas do pontífice ao líder estadunidense e apoiou a postura do religioso. “Ninguém precisa ter medo de ninguém”, afirmou.


