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Boulos decide ficar no Psol e descarta ida para o PT

Ministro diz que saída de seu grupo inviabilizaria o Psol e defende unidade da esquerda em 2026

Guilherme Boulos (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, anunciou que permanecerá no Psol após meses de discussões sobre uma possível filiação ao PT. A decisão ocorre em meio a divergências internas e ao debate sobre estratégias eleitorais para 2026. O dirigente avaliou que a saída de seu grupo político poderia comprometer a sobrevivência institucional da sigla. As informações são do Valor Econômico

Em nota divulgada nas redes sociais, Boulos afirmou que o Movimento por uma Revolução Solidária, ala do partido ligado ao ministro, seguirá integrando o Psol. “Comunicamos a decisão do nosso grupo político (Movimento por uma Revolução Solidária) de permanecer no Psol para a disputa das eleições de 2026. Apesar do grave erro assumido pela maioria do partido em rejeitar compor uma federação da esquerda, entendemos que o Psol tem sua importância na esquerda brasileira e que sua inviabilização institucional não faria bem ao campo progressista”.

Risco de inviabilidade do Psol

O grupo liderado por Boulos reúne parlamentares com forte desempenho eleitoral, como a deputada federal Erika Hilton, além de nomes como Henrique Vieira (RJ), Carlos Gianazzi (SP), Ediane Maria (SP), Renata Souza (RJ) e Yuri Moura (RJ).

Na avaliação da corrente interna, a eventual saída dessas lideranças poderia comprometer o desempenho eleitoral do partido. “Uma saída imediata destas figuras do Psol tornaria praticamente impossível ao partido ultrapassar a cláusula de barreira, levando à sua inviabilização institucional”, destaca o texto.

Críticas internas e “fogo amigo”

A nota também aponta tensões dentro do partido, com críticas ao que classificou como “fogo amigo”. “Mesmo com ataques públicos rebaixados de algumas figuras do PSOL, vindos de quem está acostumado a apostar na eterna divisão da esquerda e a levar polêmicas internas para a rede social, desqualificando lideranças e posições, nos movemos agora, como sempre fizemos, pela responsabilidade política para enfrentar os desafios atuais e futuros de um projeto popular para o Brasil”, destaca um trecho da postagem. 

“Seguiremos debatendo nossos rumos políticos e partidários, motivados pela defesa unidade do campo progressista contra o fascismo e por um projeto de esquerda que busque formar maiorias populares. Este projeto é liderado pelo Presidente Lula e com ele estaremos lutando em cada canto do Brasil por sua reeleição”, finaliza a postagem

Debate sobre unidade da esquerda

Antes da decisão, Boulos já havia demonstrado preocupação com os impactos de uma saída coletiva. Em entrevista ao programa Frente a Frente, da Folha de São Paulo em parceria com o UOL, afirmou que “com essas lideranças todas que eu mencionei saindo [Erika Hilton, Carlos Giannazi, professora Luciene Cavalcante, pastor Henrique Vieira e Sônia Guajajara, entre outros], a dificuldade do partido em ultrapassar a cláusula de barreira se tornaria ainda maior, talvez quase como uma improbabilidade, uma inviabilidade. Então nós estamos ponderando tudo isso no debate interno”.

O ministro também reiterou sua defesa da união entre forças progressistas e criticou a decisão do diretório nacional do Psol de rejeitar uma federação com o PT. “A extrema direita não é uma nuvem passageira, tem base social, veio para ficar. Em um momento como esse é essencial apostar na unidade da esquerda. [...] Lamentavelmente, a maioria do diretório nacional do Psol não teve essa compreensão. Eu acho um erro grave”, disse na ocasião.

Contexto político e atuação no governo

A possibilidade de migração para o PT ganhou força após a nomeação de Boulos para o ministério do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT, em outubro de 2025. A escolha gerou reações internas no Psol, especialmente entre setores que defendem maior independência em relação ao governo federal.

Ex-coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Boulos foi um dos deputados federais mais votados do país em 2022. À frente da Secretaria-Geral da Presidência, tem atuado em pautas como a regulamentação do trabalho por aplicativos, o debate sobre o fim da escala 6x1 e a interlocução com caminhoneiros diante do aumento do preço do diesel.

A tendência é que o ministro permaneça no cargo ao longo de 2026, sem disputar mandato no Congresso Nacional, mantendo sua atuação na articulação política do governo federal e nas discussões estratégicas do campo progressista.

 

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