Guerra no Oriente Médio já eleva passagens aéreas no Brasil em 17%, diz CVC
Alta dos combustíveis e instabilidade no petróleo encarecem tarifas e aumentam incertezas no mercado de viagens
247 - A escalada da guerra no Oriente Médio já impacta diretamente o custo das viagens aéreas no Brasil. Em março, o preço médio das passagens registrou aumento de 17% na comparação com o mesmo período do ano passado, refletindo a pressão exercida pelo encarecimento do combustível e pela volatilidade do petróleo no cenário internacional.
O avanço ocorre após um início de ano mais estável. Em janeiro, os preços médios estavam 9% abaixo do registrado um ano antes, enquanto em fevereiro houve leve alta de 2,9%, influenciada pelo período do Carnaval. A mudança de trajetória se intensificou após a escalada do conflito no fim de fevereiro, quando as companhias aéreas passaram a reajustar suas tarifas de forma mais agressiva.
Segundo o CEO da CVC Corp, Fabio Mader, o principal fator por trás da alta é a incerteza em relação ao custo do combustível. “O aumento do preço está diretamente ligado ao aumento do combustível e à incerteza com o preço do combustível, que fez as aéreas serem mais agressivas no momento da precificação”, afirmou.
Desde o agravamento da crise, as empresas do setor anunciaram quatro rodadas de reajustes, com aumentos de até 10% em cada etapa. No entanto, esses valores não são integralmente repassados ao consumidor final devido a ajustes comerciais e promoções. “Mas toda vez que eles aumentam 10%, eles recuam uma parte [seja via promoções ou ajuste]. No fim, o aumento nunca é 10%, é 3%, 4%”, explicou o executivo.
Mesmo com esses recuos, o reposicionamento geral das tarifas levou ao aumento médio de 17% no mês. O cenário acende um alerta para os próximos meses, especialmente diante de um calendário que inclui eventos relevantes como a Copa do Mundo, feriados prolongados e eleições, fatores que tendem a aumentar a complexidade na comercialização de viagens.
Paralelamente, há expectativa de expansão na oferta de voos domésticos. Projeções indicam crescimento de 11,4% no número de assentos disponíveis entre março e dezembro em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre as principais companhias, a Gol deve liderar a alta, com expansão de 17,4%, seguida por Latam, com 11,2%, e Azul, com 5,2%.
Apesar das projeções positivas, há incertezas sobre a efetiva operação dessas rotas. “É importante fazer uma ressalva que isso é o publicado e não o que vai ser voado”, disse Mader, destacando que o aumento dos custos pode levar à redução de frequências e até ao cancelamento de voos.
No segmento internacional, a oferta de assentos também deve crescer, com alta prevista de 12,4% no mesmo período. A ampliação de destinos, incluindo rotas para cidades como Paris e Lisboa, reforça a importância do mercado externo para o setor.
Ainda assim, a indústria aérea acompanha com cautela os desdobramentos da crise. O Oriente Médio é um dos principais centros de conexão global, especialmente para viagens com destino à Ásia, e já registra volume elevado de cancelamentos, o que pode afetar a malha aérea internacional.
Em meio a esse ambiente desafiador, empresas do setor buscam ajustar suas operações e reduzir custos. A CVC Corp, por exemplo, conseguiu diminuir seu prejuízo líquido no quarto trimestre para R$ 27,7 milhões, uma queda de 54,8% na comparação anual. Apesar da retração de 3,3% na receita líquida, que somou R$ 372,5 milhões, a redução de despesas operacionais em 32,8% contribuiu para a melhora do resultado financeiro.


