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BYD confirma investimento de até R$ 500 milhões para ampliar produção de baterias no Brasil

Decisão acompanha leilão inédito do governo para armazenamento de energia e pode gerar ao menos 400 empregos diretos

O logotipo da BYD é retratado em um carro elétrico em uma concessionária em Reze, perto de Nantes, França, em 27 de março de 2025 (Foto: REUTERS/Stephane Mahe)
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247 - A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD anunciou que investirá até R$ 500 milhões na expansão de sua produção de baterias no Brasil. A decisão foi tomada após a definição, pelo governo federal, do primeiro leilão voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN). As informações foram publicadas originalmente pelo Valor Econômico.

Segundo o vice-presidente sênior da BYD Brasil, Alexandre Baldy, a empresa ainda estuda se irá ampliar a unidade já existente em Manaus (AM) ou construir uma nova fábrica em território nacional. A definição deverá ocorrer nos próximos 90 dias.

“O investimento é uma decisão tomada. Agora, onde será, neste momento, é fruto de estudo”, afirmou Baldy.

O anúncio reforça a estratégia da companhia de ampliar sua presença no mercado brasileiro de soluções energéticas. Atualmente, a BYD produz em Manaus baterias do tipo LFP (lítio-ferro-fosfato), utilizadas em ônibus elétricos e sistemas de armazenamento de energia para aplicações de backup.

Leilão de armazenamento de energia impulsionou decisão

De acordo com Baldy, um dos fatores determinantes para o investimento foi o modelo adotado pelo governo federal para o leilão de armazenamento de energia, programado para os dias 2 e 4 de dezembro.

A primeira etapa do certame exigirá conteúdo nacional nos projetos participantes, seguindo critérios a serem definidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para a BYD, esse formato poderá influenciar diretamente a dimensão do aporte previsto.

“Isso vai determinar o tamanho do investimento para a ampliação ou construção dessa nova unidade industrial”, disse o executivo.

A companhia pretende utilizar recursos próprios para financiar o projeto. O montante será liberado assim que a empresa concluir os estudos sobre a localização da futura expansão.

Localização dependerá de incentivos e estratégia logística

A escolha do local para a nova fábrica ou para a ampliação da estrutura existente também levará em consideração os incentivos previstos para os empreendimentos que participarem do leilão.

O governo pretende conceder uma bonificação para projetos instalados próximos a pontos estratégicos identificados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Essas áreas estão distribuídas por estados como Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.

O mecanismo funcionará como um fator de redução no valor dos lances apresentados pelos participantes. Os critérios finais, porém, ainda serão definidos pelas autoridades responsáveis.

Geração de empregos e nacionalização da produção

A expectativa inicial da BYD é criar pelo menos 400 empregos diretos com o novo investimento. A empresa já mantém operações industriais em diferentes regiões do país.

Além da fábrica de baterias em Manaus, a companhia possui uma unidade de ônibus elétricos em Campinas (SP) e uma fábrica de veículos elétricos e híbridos em Camaçari (BA).

Embora não tenha detalhado quais componentes serão produzidos localmente, Baldy afirmou que a estratégia da empresa prevê ampliar o conteúdo nacional sempre que houver viabilidade industrial. “Aquilo que for possível de se nacionalizar, nós o faremos”, declarou.

Mercado de armazenamento deve crescer além dos leilões

A avaliação da BYD é que a contratação pública de sistemas de armazenamento representa apenas o início de um mercado com forte potencial de expansão no Brasil.

Segundo Baldy, o avanço da regulamentação do setor pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o aumento do interesse de diferentes segmentos econômicos tendem a impulsionar a demanda pela tecnologia.

“Agora se viabiliza não só a questão do próprio leilão, mas o mercado como um todo. Isso faz com que diversos segmentos olhem para essa tecnologia”, afirmou.

A empresa já iniciou conversas com distribuidoras de energia, além de companhias ligadas ao agronegócio, à mineração e a outros setores que podem utilizar sistemas de armazenamento em larga escala.

BYD amplia investimentos no Brasil

A aposta em baterias e armazenamento de energia faz parte de um plano mais amplo de expansão da BYD no país. A companhia vem reforçando sua presença industrial e tecnológica em diferentes frentes de atuação.

Em março deste ano, a empresa anunciou a criação de seu primeiro centro de testes e avaliação automotiva no Rio de Janeiro, projeto que prevê investimentos de R$ 300 milhões.

Com a nova iniciativa voltada à produção de baterias, a BYD busca consolidar sua posição tanto no mercado de mobilidade elétrica quanto no setor de infraestrutura energética, que ganha importância crescente diante da expansão das fontes renováveis e da necessidade de maior flexibilidade no sistema elétrico brasileiro.

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