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B3 lança índice Tesouro Selic com foco em liquidez e baixa rotatividade no mercado financeiro

Novo indicador acompanha desempenho das LFTs e amplia ferramentas para investidores em renda fixa no Brasil

Pessoa aponta para um painel eletrônico que exibe informações sobre as recentes flutuações dos índices de mercado na B3, em São Paulo (Foto: REUTERS/Carla Carniel)

247 - A B3 lançou, nesta quinta-feira (26), o Índice Tesouro Selic Low Turnover B3 (ISELIC Low T B3), um novo indicador voltado ao acompanhamento do desempenho médio das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos públicos pós-fixados vinculados à taxa básica de juros da economia brasileira.

O índice surge como uma referência adicional para investidores e gestores que utilizam LFTs em estratégias de renda fixa, oferecendo uma métrica padronizada para avaliação de desempenho. Esses títulos, conhecidos como Tesouro Selic, são amplamente adotados por investidores em busca de segurança, liquidez e rentabilidade atrelada à Selic, além de desempenharem papel relevante no financiamento da dívida pública e na transmissão da política monetária.

De acordo com Hênio Scheidt, gerente de Produtos na B3, o novo indicador amplia o conjunto de referências disponíveis no mercado. “Com o Índice Tesouro Selic Low Turnover B3, ampliamos o conjunto de referências para o mercado de renda fixa com a utilização de um indicador focado em LFTs com critérios claros de elegibilidade e baixa rotatividade da carteira. Isso contribui para que investidores, gestores e emissores tenham mais transparência na avaliação de desempenho de estratégias vinculadas à taxa básica de juros”, afirmou.

Metodologia e critérios de seleção

O ISELIC Low T B3 é um índice de retorno total, incorporando tanto a variação de preços dos títulos quanto os fluxos de caixa ao longo do tempo. Sua carteira teórica é composta exclusivamente por LFTs emitidas pela Secretaria do Tesouro Nacional.

Para integrar o índice, os papéis precisam atender a critérios específicos de prazo e liquidez. São considerados elegíveis títulos com prazo mínimo de dois meses, vencimento a partir de 12 meses e volume médio diário de negociação acima de um patamar estabelecido com base no histórico recente do mercado.

Ativos que deixam de cumprir essas exigências ou apresentam queda relevante de liquidez são excluídos em rebalanceamentos posteriores, garantindo maior consistência na composição do indicador.

Segundo Scheidt, a proposta é assegurar estabilidade à carteira. “A combinação de critérios de prazo e liquidez foi pensada para que o índice represente uma carteira de LFTs mais estável e com boa negociabilidade no mercado secundário, isso reduz a necessidade de trocas frequentes de ativos e se encaixa no conceito de ‘low turnover’”, explicou.

Ponderação e rebalanceamento

A ponderação dos ativos no índice considera dois fatores principais: o estoque de cada título e o volume médio diário de negociação no mercado secundário. Cada um desses critérios possui peso de 50% na definição da participação dos papéis na carteira teórica.

Os rebalanceamentos ocorrem trimestralmente, sempre no quinto dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, quando os pesos são ajustados conforme as condições mais recentes do mercado.

“A forma de ponderação do índice busca equilibrar a relevância econômica de cada título, medida pelo seu estoque, com a sua liquidez efetiva. Dessa maneira, o ISELIC Low T B3 tende a refletir tanto o tamanho quanto a negociabilidade das diferentes emissões de LFTs”, detalhou o gerente da B3.

Ampliação de produtos no mercado de renda fixa

O lançamento do novo indicador reforça a expansão dos índices de renda fixa no mercado brasileiro e acompanha o avanço de produtos financeiros atrelados a esses benchmarks, como os ETFs.

Esses instrumentos ampliam as possibilidades de diversificação para investidores, permitindo acesso a diferentes estratégias baseadas em títulos públicos e privados, com maior transparência e padronização na mensuração de desempenho.

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