Vice de Trump sinaliza apoio a Orbán e critica União Europeia antes de eleições na Hungria
JD Vance visita Budapeste em agenda com o primeiro-ministro húngaro às vésperas do pleito
247 - O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou, na terça-feira (7), em Budapeste, que sua visita à Hungria teve o objetivo de enviar um recado à União Europeia. A agenda ocorreu dias antes das eleições parlamentares do dia 12 de abril e incluiu sinalização de apoio ao primeiro-ministro Viktor Orbán. As informações são da RFI.
Durante compromissos na capital húngara, Vance criticou a atuação de Bruxelas e declarou que autoridades europeias pressionam o país por discordarem de sua liderança política. “Eu realmente queria enviar um sinal a todos, especialmente aos burocratas em Bruxelas, que fizeram tudo o que puderam para manter o povo húngaro sob pressão, porque não gostam do líder que de fato defendeu o povo da Hungria”, afirmou.
Cenário adverso para Orbán
A visita, que inclui participação em um comício ao lado de Orbán, ocorre em um cenário eleitoral adverso para o premiê. Pesquisas indicam que o partido governista Fidesz aparece cerca de oito pontos atrás da legenda de centro-direita Tisza. Ainda assim, Vance evitou orientar o voto do eleitorado. “Não vou dizer aos húngaros como votar”, disse.
Antes de deixar Washington, na segunda-feira (6), o vice-presidente declarou que pretendia reencontrar seu “bom amigo Viktor”. Segundo ele, os encontros abordariam temas bilaterais, além das relações com a União Europeia e a Ucrânia.
Outros integrantes da administração estadunidense também estiveram recentemente em Budapeste. O secretário de Estado, Marco Rubio, visitou o país semanas antes e declarou apoio ao premiê húngaro, desejando-lhe sucesso no pleito.
Relações com a União Europeia
As tensões com a União Europeia se intensificaram ao longo dos anos. O rompimento entre o Fidesz e o Partido Popular Europeu ocorreu em 2021, após divergências sobre o rumo político do governo húngaro.
Posteriormente, a União Europeia suspendeu repasses financeiros ao país, citando preocupações com corrupção e Estado de direito. Parte dos recursos foi liberada após reformas, mas cerca de 18 bilhões de euros continuam bloqueados.
Orbán também ampliou sua atuação internacional, estreitando relações com líderes políticos de diferentes regiões e promovendo iniciativas próprias no cenário europeu, como uma missão diplomática a Moscou, durante a presidência húngara no Conselho da União Europeia.
Cenário econômico e eleitoral
Internamente, o governo enfrenta dificuldades econômicas. A Hungria registra inflação elevada desde o início do conflito na Ucrânia, com aumento nos preços de energia. O crescimento econômico permanece estagnado há três anos.
Ao mesmo tempo, o premiê enfrenta a ascensão de um adversário político, Peter Magyar, em um contexto de desgaste provocado por escândalos e pela situação econômica.


