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Trump prevê que guerra contra Irã está perto do fim

Chefe da Casa Branca diz que EUA e Irã querem acordo, mas pontos centrais seguem sem solução

Donald Trump (Foto: Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (6), que vê a possibilidade de um acordo rápido para encerrar a guerra com o Irã, enquanto Teerã avalia uma proposta de paz apresentada por Washington.

Segundo a Reuters, a proposta americana prevê o fim formal do conflito, mas deixaria para uma etapa posterior temas considerados centrais por Washington, como o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica que antes da guerra concentrava cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás.

A reação iraniana ainda está em análise. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, citado pela agência ISNA, afirmou que Teerã transmitirá sua resposta. Já o parlamentar Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Política Externa e Segurança Nacional do Parlamento iraniano, classificou o documento como “mais uma lista de desejos americana do que uma realidade”.

Trump, por sua vez, buscou transmitir otimismo após conversas recentes. “Eles querem fechar um acordo. Tivemos conversas muito boas nas últimas 24 horas e é bem possível que cheguemos a um acordo”, disse o presidente dos Estados Unidos a jornalistas no Salão Oval. Em outra declaração, acrescentou que “tudo terminará rapidamente”. Segundo ele, os EUA também querem pôr fim à guerra.

Negociações buscam fim formal do conflito

Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que há avanços em torno de um memorando de uma página, que encerraria formalmente a guerra. A partir desse primeiro passo, seriam abertas conversas sobre a retomada da navegação no estreito, a suspensão de sanções dos Estados Unidos contra o Irã e a imposição de limites ao programa nuclear iraniano.

Um alto funcionário paquistanês envolvido nas tratativas disse que os negociadores mantêm expectativa de chegar a um acordo, embora ainda existam diferenças relevantes entre as partes. “Nossa prioridade é que eles anunciem um fim permanente da guerra, e o restante das questões pode ser resolvido quando voltarem às negociações diretas”, afirmou, sob condição de anonimato.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, reagiu com ironia às informações de que os dois lados estariam próximos de um entendimento. Em publicação nas redes sociais, em inglês, escreveu: “A Operação Confie em Mim, Mano fracassou”. Qalibaf disse ainda que os relatos sobre avanço nas conversas seriam uma tentativa dos Estados Unidos de moldar a narrativa após não conseguirem reabrir o Estreito de Ormuz.

Mercados reagem com queda do petróleo

A possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã provocou forte reação nos mercados internacionais. Os preços globais do petróleo caíram para os menores níveis em duas semanas na quarta-feira, com os contratos futuros do Brent recuando cerca de 11% em determinado momento, chegando a aproximadamente US$ 98 por barril, antes de voltarem para acima da marca de US$ 100.

As bolsas globais também avançaram, enquanto os rendimentos dos títulos recuaram, refletindo o otimismo com uma eventual redução das tensões em uma guerra que afetou o fornecimento de energia.

“O conteúdo das propostas de paz entre EUA e Irã é limitado, mas há uma expectativa no mercado de que novas ações militares não ocorrerão”, afirmou Takamasa Ikeda, gestor sênior de portfólio da GCI Asset Management.

Na terça-feira, Trump suspendeu uma missão naval iniciada dois dias antes para reabrir o estreito bloqueado, citando avanços nas conversas de paz. A NBC News, citando dois funcionários americanos não identificados, informou que a mudança repentina ocorreu depois que a Arábia Saudita suspendeu a capacidade dos militares dos Estados Unidos de usar uma base saudita na operação.

Segundo a NBC News, autoridades sauditas teriam ficado surpresas e irritadas com o anúncio de Trump de que os Estados Unidos ajudariam a escoltar navios pelo Estreito de Ormuz. Em resposta, teriam informado Washington de que não autorizariam aeronaves militares americanas a partir de uma base saudita ou a cruzar o espaço aéreo do país.

Pontos centrais seguem sem solução

De acordo com uma fonte informada sobre a mediação, as negociações do lado americano são conduzidas pelo enviado de Trump, Steve Witkoff, e por seu genro, Jared Kushner. Caso os dois lados aceitem o acordo preliminar, começaria um prazo de 30 dias para negociações detalhadas em busca de um entendimento completo.

As fontes disseram que o memorando não exigiria, inicialmente, concessões de nenhuma das partes. Ainda assim, não há menção a várias exigências feitas anteriormente por Washington e rejeitadas pelo Irã, como restrições ao programa de mísseis iraniano e o fim do apoio de Teerã a milícias aliadas no Oriente Médio.

Também não houve menção ao estoque existente de mais de 400 quilos de urânio enriquecido a um nível próximo do necessário para uso bélico. Esses pontos indicam que, mesmo com o avanço de uma proposta para encerrar formalmente a guerra, as negociações entre Estados Unidos e Irã ainda enfrentam impasses decisivos.

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