Trump critica plano iraniano que adia debate nuclear
Insatisfação de Trump com proposta iraniana dificulta avanço nas negociações de paz
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou insatisfação com a mais recente proposta apresentada pelo Irã para encerrar a guerra em curso, que já dura dois meses, elevando as incertezas sobre um possível acordo de paz. O plano iraniano prevê adiar discussões sobre seu programa nuclear até o fim da guerra, ponto considerado central por Washington.
Segundo a agência Reuters, autoridades americanas indicaram que Trump rejeitará a proposta justamente por excluir o tema nuclear das negociações iniciais, o que contraria a posição dos Estados Unidos de que essa questão deve ser tratada desde o começo de qualquer acordo.
De acordo com um funcionário do governo americano, que falou sob condição de anonimato, o presidente demonstrou descontentamento após reunião com assessores. A proposta iraniana também inclui a resolução prévia de disputas relacionadas à navegação no Golfo, antes de qualquer avanço em outras áreas.
A Casa Branca evitou comentar detalhes das negociações. A porta-voz Olivia Wales afirmou que os Estados Unidos “não negociarão pela imprensa” e ressaltou que o governo já deixou claras suas “linhas vermelhas” na tentativa de encerrar o conflito iniciado em fevereiro, quando Washington passou a atuar ao lado de Israel.
Impasse sobre programa nuclear
O ponto central de divergência permanece o programa nuclear iraniano. Um acordo firmado em 2015 entre o Irã e potências internacionais limitava significativamente as atividades nucleares do país, que sempre afirmou ter fins pacíficos. No entanto, o entendimento foi abandonado unilateralmente por Trump durante seu primeiro mandato, contribuindo para a escalada de tensões.
Autoridades iranianas informaram à Reuters que a proposta atual prevê negociações em etapas. Inicialmente, o objetivo seria encerrar a guerra e obter garantias de que os Estados Unidos não retomariam o conflito. Em seguida, seriam discutidas questões como o bloqueio naval imposto pela Marinha americana e o controle do Estreito de Hormuz.
Somente em um estágio posterior, segundo o plano, o tema nuclear seria retomado.
Impactos econômicos e pressão política
A ausência de avanços diplomáticos já afeta mercados globais, especialmente o setor de energia. Com o fluxo de petróleo limitado no Estreito de Hormuz, os preços voltaram a subir. Dados de monitoramento indicam que apenas sete embarcações cruzaram a região no último dia, número muito inferior à média diária anterior ao conflito, que variava entre 125 e 140 navios.
Além disso, pelo menos seis petroleiros carregados com petróleo iraniano foram forçados a retornar ao país devido ao bloqueio dos Estados Unidos, evidenciando o impacto direto da guerra no comércio marítimo.
O governo iraniano criticou duramente as apreensões de navios, classificando a ação como “legalização absoluta da pirataria e roubo armado em alto-mar”, em publicação nas redes sociais.
Internamente, Trump enfrenta pressão crescente para encerrar a guerra, especialmente diante da queda em seus índices de aprovação. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou durante visita à Rússia que o presidente americano teria solicitado negociações por não ter alcançado seus objetivos militares.
Enquanto isso, iniciativas diplomáticas seguem sem avanços concretos. Uma visita planejada de enviados americanos ao Paquistão foi cancelada, reduzindo ainda mais as expectativas de retomada das negociações em curto prazo.



