Prisão de Ramagem nos EUA foi coordenada com a PF, diz diretor-geral
Andrei Rodrigues confirma atuação conjunta com autoridades americanas após detenção do ex-deputado na Flórida por questões migratórias
247 - A prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, realizada nesta segunda-feira (13), contou com coordenação direta entre autoridades estadunidenses e a Polícia Federal brasileira. A detenção ocorreu em Orlando, na Flórida, onde ele foi abordado por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) e encaminhado a um centro de detenção por questões migratórias.
A informação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em declaração à coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo ele, a operação teve articulação com a corporação brasileira, o que contraria versões divulgadas por aliados de Ramagem nos Estados Unidos.
A avaliação do diretor da PF diverge do posicionamento do jornalista Paulo Figueiredo, ligado ao ex-deputado e responsável pelo pedido de asilo dele no país norte-americano. Após a prisão, Figueiredo afirmou a aliados que a detenção não estaria relacionada ao pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro.
Ramagem está nos Estados Unidos desde setembro de 2025, quando deixou o Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. A fuga ocorreu no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes votou pela condenação, ocasião em que também foi decretada sua prisão.
De acordo com investigações da Polícia Federal, o ex-deputado deixou o território brasileiro pela fronteira com a Guiana, no município de Bonfim, em Roraima. Ele seguiu por via terrestre até cruzar o limite entre os países, separado apenas por um rio. Já em território guianense, embarcou com destino a Miami, onde há registro de sua chegada em 11 de setembro.
Posteriormente, Ramagem passou a viver nos Estados Unidos com a esposa e os filhos. Em dezembro de 2025, ele teve o passaporte diplomático cancelado após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados.
O pedido formal de extradição foi apresentado pelo Ministério da Justiça em 30 de dezembro de 2025 à Embaixada do Brasil em Washington, que encaminhou a documentação ao Departamento de Estado dos Estados Unidos.


